Abecs concorda com prazo máximo de 30 dias para o rotativo do cartão

SÃO PAULO – A Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs) vê como positiva fixar um prazo máximo de 30 dias para que o cliente fique no rotativo dos cartões de crédito. No entanto, sobre a declaração do presidente Michel Temer de que a taxa de juro nessa linha cairá pela metade no primeiro trimestre, a Abecs foi mais evasiva em sua avaliação. Já analistas veem que há espaço para a redução dos juros, mas que não há viabilidade técnica para fazer isso no curto prazo.

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Em nota, a Abecs explicou que propor alternativas ao cliente após esse prazo de 30 dias permitirá que o consumidor faça um maior controle de suas despesas, o que resultará em um comprometimento menor de sua renda mensal. “Proporcionando, assim, uma potencial redução da inadimplência e estimulando condições de mercado mais propícias para uma convergência da taxa de juros para patamares compatíveis com aqueles praticados no parcelamento da fatura”, justifica a associação, sem comentar o prazo para essa convergência.

Segundo a Abecs, as instituições estão colaborando para que o Banco Central consiga criar um modelo de ofereça taxas e condições melhores aos consumidores que usam o rotativo e que, internamente, o assunto é discutido desde março. “A associação já vinha estudando e promovendo discussões acerca de criação de mecanismos de aprimoramento nas formas de uso do crédito rotativo desde março deste ano, principalmente com o objetivo de incentivar opções de crédito menos onerosas aos clientes.”

A taxa do rotativo, que é o juro cobrado quando o cliente não paga o valor total da fatura no dia do vencimento. Esse é o maior juro do mercado, de 457,8% ao ano. No entanto, a maior parte dos grandes emissores, em geral bancos de varejo, já dão a opção de parcelamento da fatura quando o cliente entra no rotativo e essa linha já tem um custo bem inferior se comparada ao rotativo. Os juros cobrados em parcelamentos no cartão são mais baixos, 156,1% ao ano, pouco acima do juro das linhas de crédito pessoal, que é de 136,6% ao ano.

GORDURA PARA QUEIMAR E INADIMPLÊNCIA ALTA

Os bancos possuem gordura para queimar nas taxas cobradas nos cartões de crédito, mas os analistas veem pouca viabilidade técnica para que isso aconteça no curto prazo.

? Há gordura para queimar porque os juros são de mais de 10% ao mês e mais de 400% no ano. Isso é escandaloso. Mas do ponto de vista técnico, a Selic teria que cair muito, o que é impossível no curto prazo. Outro ponto é a inadimplência, que também teria que cair de forma agressiva — avaliou Luis Miguel Santacreu, analista do setor bancário da Austin Rating.

A inadimplência no rotativo do cartão de crédito está atualmente em 36,1%, acima dos atrasos registrados nas linhas de crédito pessoal e cheque especial, que são de, respectivamente, 15,7% e 8,9%.

Temer não explicou como será feita essa redução dos juros do cartão, mas afirmou que caso a pessoa entre no parcelamento da dívida, a taxa será ainda menor.

Segundo Santacreu, a inadimplência no rotativo é elevada porque além de ser uma linha sem garantia (a pessoa não vai perder nenhum bem se deixar de pagar), os juros são elevados.

? A inadimplência é alta estimulada pelos juros elevados. Os bancos poderiam reduzir o spread, mas justificam que é uma operação sem garantia, diferente de um financiamento do imóvel ou veículo ? afirmou.

Em sua avaliação, tentar baixar o juro do cartão de crédito é uma das únicas formas do governo de estimular o consumo, porque é um instrumento popularizado no país e voltado para o curto prazo. Linhas de mais longo prazo, como empréstimo para a compra de veículos ou imóveis, mas essas necessitam da redução do desemprego e melhor atividade econômica.

JK

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