
Cascavel e Paraná - A possibilidade de a arroba do boi alcançar R$ 360 nas próximas semanas segue no radar do mercado pecuário, mesmo diante de um cenário de pressão baixista articulado sobre as exportações. A avaliação é do médico-veterinário Cleber Rayzer do Carmo, em entrevista concedida à equipe de reportagem do Jornal O Paraná. Ele acompanhou os desdobramentos da recente reunião da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). Hoje, a arroba do boi custa em torno de R$ 305, conforme a mais recente atualização.
Segundo Rayzer, o encontro definiu uma redução nas quantidades de carne bovina destinadas à China, principal destino das exportações brasileiras. “Foi feita a divisão de todas as plantas frigoríficas habilitadas a exportar para a China e, nesse processo, houve uma redução de cerca de 30% no volume que seria embarcado”, explica.
Com isso, a expectativa imediata é de pressão de baixa sobre o preço do boi gordo, ainda que o movimento não seja considerado definitivo. “Vai ter pressão, sim. Não sei se vão conseguir manter essa baixa, mas ela vai acontecer. Na prática, a tendência é de retenção de animais”, comenta.
Apesar desse cenário, o médico-veterinário ressalta que, do ponto de vista da oferta e da dinâmica de mercado, o preço da arroba ainda tem espaço para avançar. “A perspectiva natural seria esse boi, em mais 30 dias, subir para perto de R$ 350 a R$ 360 a arroba”, destaca, apontando que o fundamento de alta permanece, especialmente diante da limitação de oferta de animais prontos.
Para Rayzer, a pressão observada não tem origem apenas comercial. “Na verdade, é muito mais uma questão política do que propriamente da China. Eu acredito que isso esteja ligado ao ano eleitoral, com o governo federal buscando carne mais barata para a população”, avalia. Segundo ele, essa estratégia se traduz em tentativas de influenciar o mercado, especialmente via exportações.
Mesmo reconhecendo a força desse movimento, o especialista pondera que o sucesso da estratégia ainda é incerto. “Eles vão fazer pressão, sim. Agora, se vão conseguir segurar o mercado por muito tempo, é difícil dizer”, conclui.
Enquanto isso, o setor segue atento. Entre a tentativa de conter preços e os fundamentos que apontam para valorização, a arroba do boi continua no centro das atenções — com a marca dos R$ 360 ainda como uma possibilidade concreta no horizonte do mercado.
Vietnã
As autoridades sanitárias do Vietnã concluíram o processo de avaliação técnica e habilitaram mais quatro estabelecimentos brasileiros para a exportação de carne bovina com osso e desossada.
Os novos estabelecimentos habilitados estão localizados em Rondônia (2), Mato Grosso do Sul (1) e Tocantins (1), somando-se a outros quatro já autorizados, situados em Goiás (3) e Mato Grosso (1).
Os dossiês técnicos apresentados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária foram avaliados e aprovados, comprovando o cumprimento dos requisitos sanitários e de inocuidade dos alimentos exigidos para a habilitação dos novos estabelecimentos.
O mercado vietnamita de carne bovina foi aberto em 2025, após décadas de negociação, no âmbito da missão oficial do Presidente da República a Hanói, que fortaleceu o diálogo bilateral e ampliou as oportunidades de inserção de novos produtos brasileiros naquele mercado. Com as novas autorizações, o Brasil passa a contar com oito plantas habilitadas, dobrando a capacidade atual de oferta e fortalecendo a presença da carne bovina brasileira em um dos países que mais têm expandido o consumo de proteína animal nos últimos anos.
Cabe ressaltar que esse avanço é fruto de intenso diálogo técnico e negocial, consolidando a parceria entre os dois países. O Mapa seguirá atuando para ampliar o número de estabelecimentos habilitados e diversificar mercados, sempre com base na transparência, no robusto sistema oficial de inspeção e controle sanitário e na qualidade dos produtos brasileiros.