Cascavel – As vendas antecipadas da soja estão completamente paradas há cerca de um mês na região oeste do Paraná com um cenário que se assemelha à realidade estadual. As transações travaram em cerca de 15% daquilo que deve ser colhido. Isso significa, que dos 3,9 milhões de toneladas que se espera da produção regional, cuja safra está sendo cultivada agora, foram firmados contratos para a entrega de aproximadamente 600 mil toneladas.

Os motivos para que as transações sigam emperradas estão calcados em dois fortes argumentos: as trades que compram a soja querem o produto colocado no porto pelo preço indicado pelo mercado para fechamento do contrato. Isso significa que o produtor deverá incorporar o transporte, com uma polêmica tabela que vigora desde o fim do mês de maio e há dois meses como forma de lei. “Como essa tabela vem sendo discutida na Justiça e ninguém quer pagar a conta, porque o frete encareceu muito, nem produtor nem as trades estão fechando negócio neste momento”, afirma o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.

O líder cooperativista esclarece que outro ponto que pesa sobre as comercializações antecipadas, nos chamados contratos de venda futura – no qual os contratos são assinados agora mas os grãos são entregues na colheita de janeiro a março – está o processo eleitoral e as indefinições políticas que pesam sobre o fechamento de negócios. Não se sabe, por exemplo, como o mercado vai reagir a cada divulgação de pesquisa de intenção de votos, com o sobe e desce do dólar, nem como será o direcionamento político/econômico do governo que deverá assumir em 1º de janeiro de 2019.

Para o economista do Deral (Departamento de Economia Rural) Marcelo Garrido, essa “paradeira” no mercado precisará sofrer mudanças a partir do próximo mês. “O prazo para comercialização antecipada está se esgotando. Os especialistas têm indicado que a melhor forma de vender é fazê-la escalonada, então algum movimento terá de ter porque o produtor planta uma safra já pensando na outra e não tem como deixar para vender tudo no momento da colheita”, explica.

Números melhores

Apesar de os contratos futuros terem emperrado, os negócios fechados neste ano representam quase o dobro do que foi comercializado no mesmo período de 2017. “No fim de setembro do ano passado tínhamos apenas 8% dos contratos de venda futura assinados. Então, apesar do cenário atual, os números são considerados bastante positivos”, seguiu o economista.

No oeste, boa parte dos contratos foi firmada na casa dos R$ 80 a saca de 60 quilos. Nessa semana, por exemplo, o produto no balcão estava cotado a R$ 77, mas, como as comercializações estão paradas, não há informação de valores propensos para os contratos.

O Deral registra pouco mais de 85% das lavouras já cultivadas com soja no oeste, o que representa cerca de 900 mil hectares. O restante do plantio deve se dar apenas quando o tempo se firmar, com pelo menos dois dias de sol. Ainda não é considerado atraso no cultivo, mas quanto mais tarde o plantio for feito, mais comprometidas ficam as lavouras da safrinha do ano que vem.