Um transporte de Guaíra a Cascavel, por exemplo, que por terra demoraria mais de duas horas de ambulância com a sirene ligada, pode ser feito em 30 minutos de helicóptero. Agilidade que representa 25% do tempo que levaria para um paciente chegar até o hospital. Tempo que garante que muitas vidas sejam salvas.

Com atendimento em 43 municípios, Cascavel foi a primeira base do serviço aeromédico do interior do Paraná, instalada em janeiro de 2014, assim como a de Curitiba. Com o sucesso em Cascavel, em 2016 o serviço foi implantado em Maringá e em Londrina; e em março deste ano em Ponta Grossa.

O helicóptero do Consamu (Consórcio Intermunicipal Samu Oeste) atendeu a mais de 1.770 ocorrências e foram mais de 2.900 horas voadas, sem histórico de óbito durante o voo. Isso desde janeiro de 2014, quando começou o atendimento e, com ele, a desburocratização de um sistema de saúde que corre contra o tempo para salvar pacientes e que demandava mais investimento para manter aqueles que ficavam com sequelas em decorrência da demora no transporte. “A maior demanda é de casos como infarto ou AVC [Acidente Vascular Cerebral]. Também atendemos bebês, pacientes com infecções graves ou generalizadas em que não há recurso hospitalar; além de vítimas de acidentes com politraumatismo que não sobreviveriam ao transporte terrestre ou então ficariam com graves sequelas”, explica o diretor-técnico do Consamu, Rodrigo Nicácio.

Quem decide a necessidade do helicóptero nos atendimentos é o médico regulador do Samu, que recebe as solicitações e define qual melhor recurso e pode acionar ou não o socorro especial.

Impacto na saúde

De acordo com a Secretaria de Saúde do Paraná, o grande impacto do aeromédico ocorre na redução de mortalidade por acidentes como AVC e infarto, que caiu em 26,8%, além de queda de 21,5% na mortalidade por doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. Segundo a Secretaria, em todo mundo, a adoção dessa estratégia impacta na redução de sequelas em pacientes em situação de urgência e emergência e também no tempo de internação e tratamento após o acidente, o que reduz também o impacto financeiro do tratamento. A média de tempo total de atendimento por paciente pelo aeromédico do Paraná é de 1h15; e a média financeira de paciente atendido é de R$ 13 mil. O mesmo tipo de serviço executado nos Estados Unidos, por exemplo, é de 10 mil dólares por paciente e na França de 3,7 mil euros por paciente.

Equipamentos e profissionais

O atendimento destas vítimas só é possível graças à qualidade dos equipamentos do helicóptero, que está montado com uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva), além do preparo da equipe disponibilizada para dar a assistência. O grupo de profissionais que atua com o aeromédico conta com 14 médicos, que são do Consamu, quatro enfermeiros, disponibilizados pela 10ª Regional de Saúde, além de dois pilotos e dois mecânicos que são funcionários da empresa que venceu a licitação para locação e manutenção do helicóptero. Todos treinados para dar a assistência adequada aos pacientes durante o voo. O helicóptero de Cascavel tem, por mês, 50 horas para voar garantidas. Por conta da demanda, o helicóptero já atingiu a marca de 80 horas em alguns meses. O excesso é bancado pelo Estado, que prioriza salvar pacientes. Quando há sobra de horas, esse saldo é transferido para o mês seguinte.

Investimento

Só em Cascavel, o serviço tem custo médio de R$ 550 mil por mês. No Paraná, envolvendo o avião exclusivo do Estado e os quatro helicópteros, o investimento é de R$ 3,1 milhões por mês, conforme as horas executadas. A Saúde do Paraná atua com serviço de resgate aéreo desde 2007 em parceria com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) na base de Curitiba, mas o trabalho do helicóptero vem somar para garantir atendimento à população. De 2011 a setembro de 2018, foram feitos 11.112 transportes aéreos de pacientes, somando todos os serviços.