Cascavel – O Paraná vive um momento antagônico nesta pandemia. Enquanto a taxa de transmissão da covid-19 disparou, a média móvel de mortes caiu para o menor nível desde novembro, antes da agudização registrada em dezembro. Para o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, ainda é impossível cravar que não teremos uma nova onda, mas admite a queda nos casos mais graves e isso é reflexo da vacinação.

“É fato que estamos diminuindo o número de pessoas que precisam de internação, mas ainda temos taxa de ocupação [de UTI] cima de 94%, só que nos últimos dias tivemos redução no número de pessoas aguardando em UPAs para transferência a hospitais de porte maior”, reforça. Mas alerta: “Nosso sistema de saúde continua estressado, muito perto do colapso… Não vencemos essa etapa”.

Conforme boletim divulgado nessa sexta-feira, a média móvel de mortes é de 33 por dia, queda de 79% na comparação à média de 14 dias atrás. Para se ter uma ideia, no pico de março, o Paraná chegou a registrar mais de 230 mortes por dia em decorrência da covid-19. A média de agora se assemelha à de novembro.

Beto Preto afirma que a redução de casos mais graves é resultado do ritmo da vacinação. O Paraná já aplicou mais de 5,2 milhões de vacinas, sendo mais de 4 milhões em primeiras doses.

Infectados

Por outro lado, o Estado registra a maior quantidade de pessoas com o vírus ativo. Nessa sexta, eram 347.118 infectados, mais que o triplo do início do ano. Isso significa que o vírus segue muito presente e que não dá para relaxar. “Ainda temos muito pela frente, e, infelizmente, nos últimos dias tivemos novamente crescimento da taxa de transmissão [R], que veio para 1,43 hoje… É muito alta, mas pode ser fruto também de alguns números que foram atualizados no sistema de casos e de óbitos que já ocorreram há algum tempo”, explica o secretário, referindo-se ao lançamento de alguns dados represados.

Ele conclui reforçando o foco na vacinação: “O esforço maior neste momento é o foco na vacina, fazer com que ela chegue rapidamente aos municípios e pedir mais uma vez a colaboração e o esforço dos prefeitos, secretários no sentido de colocar suas equipes para vacinar usando as doses que chegam. Muitas vezes, alguns municípios falam que as doses acabaram… neste momento, as doses acabando demonstra o engajamento, a rapidez com que o município trabalha para vacinar a sua população”.

 

Transmissão

A taxa de transmissão, o chamado R, chegou a 1,43 no Paraná, o que quer dizer que 100 pessoas infectadas com o vírus contaminam outras 143. Segundo os dados do Sistema Loft, o Paraná apresenta a maior taxa de transmissão do Brasil, acima inclusive da taxa nacional, atualmente em 1,09. O segundo estado com maior taxa de transmissão, segundo o Sistema Loft, é o Rio Grande do Norte, com 1,35, seguido de São Paulo, com 1,15, e Paraíba, com 1,1.

 

Nova cepa

Nessa sexta, o Estado também confirmou o segundo caso da cepa B.1.617 no Paraná, popularmente conhecida como variante indiana e delta. É um caso em Apucarana, na 16ª Regional de Saúde, descoberta a partir de sequenciamento genômico do vírus SARS-CoV-2, realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Trata-se de uma mulher de 42 anos, gestante, residente do Japão, que chegou ao Brasil no dia 5 de abril. Ela realizou a coleta de exame RT-PCR para diagnóstico da covid-19 antes de embarcar, tendo resultado negativo para a doença. Dois dias após sua chegada, em 7 de abril, a gestante iniciou sintomas respiratórios, fez um novo exame, sendo positivo. A paciente precisou ser internada no dia 15 de abril e, devido ao agravamento dos sintomas, em 18 de abril passou por uma cesariana de emergência e foi a óbito no mesmo dia. O recém-nascido, prematuro de 28 semanas, ficou internado até o dia 18 de junho e teve o resultado do exame negativo para a infecção da covid-19. O bebê está saudável e segue em acompanhamento. Os demais integrantes da família da gestante seguem saudáveis. A gestante era amiga próxima da filha da primeira pessoa confirmada com a variante indiana no Paraná.


Sesa confirma 8.231 novos casos e 43 óbitos

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou nessa sexta-feira (25) mais 8.231 casos confirmados e 43 mortes pela covid-19 no Paraná. Os dados acumulados do monitoramento da doença mostram que o Estado soma 1.252.076 casos confirmados e 30.212 óbitos.

Os casos são de janeiro (28), fevereiro (114), março (75), abril (104), maio (2.617), junho (5.260), e o restante de 2020.

Nessa sexta, havia 4.890 internados em alas exclusivas para tratar covid-19, dos quais 2.232 em UTI. É a primeira vez que esse número baixa de 5 mil desde 12 de maio.

Mais vacinas contra a covid-19 e insumos chegam aos municípios

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, acompanhou nessa sexta-feira (25) o envio de mais de 300 mil vacinas contra a covid-19, além de 116 mil medicamentos do kit de intubação, aos municípios do Paraná. A Regional de Saúde de Jacarezinho foi a primeira do interior a registrar o recebimento dos imunizantes e insumos.

O secretário falou sobre a importância da descentralização da Janssen, primeiro lote enviado ao Estado. “Nosso governo é participativo e municipalista. Quando temos oportunidade de franquear doses para todo o Paraná, como foi feito com a Pfizer, queremos difundir a sua aplicação a todos os municípios onde tenha necessidade neste primeiro momento, em que essa vacina está sendo direcionada para os trabalhadores do transporte”, disse.

“Estamos trazendo mais doses para todas as regiões, nosso primeiro destino foi Jacarezinho, depois deixamos mais um quantitativo em Cornélio Procópio e, em seguida, em Londrina, que deverá descentralizar para as Regionais de Saúde de Apucarana e Ivaiporã”, acrescentou o secretário.

O chefe da Casa Civil, Guto Silva, e o deputado estadual Alexandre Curi, acompanharam o recebimento das doses e insumos no município de Londrina.

Domingo

As novas doses possibilitam a vacinação já durante o fim de semana, seguindo a campanha do governo do Estado “De domingo a domingo”. “Pedimos aos municípios que se organizem e realizem ações de vacinação durante todo o final de semana”, disse Beto Preto. “Temos expectativas de receber novos lotes de vacinas até semana que vem, e vacina eficaz é aquela que está no braço das pessoas. Não queremos doses estocadas, queremos avançar na vacinação e imunizar o maior número de pessoas possível”.

O governo do Estado recebeu 439.340 doses de vacina contra a doença, enviadas pelo Ministério da Saúde na tarde de quinta-feira (24) e iniciou a distribuição logo em seguida, começando pela Capital, que recebeu 47,2 mil doses.