De acordo com a Resolução 145/2017, a partir de 1º de janeiro de 2019 fica proibida, em todo território nacional, a fabricação, importação e comercialização, bem como o uso em serviços de saúde, dos termômetros e esfignomanômetros com coluna de mercúrio para diagnósticos.

A determinação, aprovada pelo ministério da Saúde e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), tem o objetivo de eliminar o uso de mercúrio em diferentes produtos, porém, é importante destacar que a resolução não proíbe o uso doméstico de termômetros de Mercúrio para quem já possui e utiliza o equipamento em casa. Assim, os usuários residenciais poderão continuar utilizando normalmente os termômetros, desde que observados os devidos cuidados no armazenamento e na manipulação, para que não ocorra a quebra do revestimento de vidro.

Caso os usuários optem pelo descarte, a orientação da SESAU é que os mesmos entrem em contato com sua Unidade Básica de Saúde de referência, a partir de 09/01/2019, para informações sobre a entrega do material. 

PRECAUÇÕES EM CASO DE ACIDENTES:

A quantidade de mercúrio presente em termômetros de uso caseiro não chega a ser comprometedora, porém em caso de acidentes é importante tomar as seguintes precauções:

 – Isole o local e não permita que crianças brinquem com as bolinhas de mercúrio;

– Utilize luva/ máscara e recolha com cuidado os restos de vidro em toalha de papel e coloque em recipiente resistente à ruptura, para evitar ferimento e feche hermeticamente;

-Localize  as "bolinhas" de mercúrio e junte-as com cuidado utilizando um papel cartão  ou similar. Recolha as gotas de mercúrio com uma seringa sem agulha. As gotas menores podem ser recolhidas com uma fita adesiva;

– Transfira o mercúrio recolhido para o recipiente de plástico ou vidro duro e resistente. Feche hermeticamente e cole um rótulo indicando o que há no recipiente;

– Recipientes que acondicionem mercúrio líquido ou seus resíduos contaminados devem estar armazenados com certa quantidade de água (selo Hídrico) que cubra esses resíduos, para minimizar a formação de vapores de mercúrio;

_ Identifique o recipiente, escrevendo na parte externa "Resíduos tóxicos contendo mercúrio";

_ Não use aspirador, uma vez que isso vai acelerar a evaporação do Mercúrio, bem como contaminar outros resíduos contidos no aparelho;

– Coloque o recipiente em uma sacola fechada;

– Entre em contato com a Unidade de Saúde de referência para informar-se sobre a entrega do material recolhido. 

De acordo com artigo publicado no jornal O Globo, o mercúrio é um metal pesado que se acumula na cadeia alimentar, com efeitos perversos à saúde humana, especialmente no desenvolvimento de fetos e crianças pequenas. Independentemente de onde é lançado, ele viaja por longas distâncias através dos oceanos e da atmosfera, chega a ser transportado de um continente a outro. Quando inalado na forma de vapor, danifica os sistemas imunológico e nervoso central, tireoide, rins, pulmões e olhos. Os sintomas incluem tremores, insônia, perda de memória, dores de cabeça, disfunção motora, distúrbios neurológicos e comportamentais. O caso mais emblemático é o da Baía de Minamata, no Japão, quando a contaminação por mercúrio chamou a atenção do mundo.

A exposição pode se dar através da ingestão de peixes, vegetais, passando pelo uso de alguns tipos cosméticos e produtos de higiene pessoal. Lâmpadas fluorescentes, tintas, baterias e termômetros, todos contêm mercúrio. Além disso, ele é utilizado como amálgama por dentistas e em processos industriais. Estamos diante de um problema que exige uma dramática intervenção do poder público, setor empresarial, sociedade civil e Academia.