Reportagem: Patrícia Cabral

Cascavel – “Precisamos nos adaptar para não fechar”. Essa foi uma das frases mais usadas por comerciantes, empreendedores e empresários nos últimos meses por causa da pandemia do novo coronavírus. A necessidade de inovação e busca por opções reflete diretamente na manutenção do comércio em vários segmentos, amenizando a crise e evitando o fechamento dos negócios, sejam eles recentes ou tradicionais.

Com o cancelamento de formaturas e casamentos, imagine o que aconteceu com empresas que vendem e alugam trajes sociais.

Proprietária de um dos ateliês mais conhecidos de Cascavel e região, a estilista Lucinha Silveira tem mais de 35 anos de mercado e também precisou pensar em outras possibilidades para manter a empresa. “Apostamos em serviços diferentes. Alguns que já oferecíamos, mas não com tanta frequência, como consultoria, e outros inovadores, como a locação on-line, em que a pessoa seleciona no catálogo virtual, faz o contrato e vem à loja para a prova da roupa”, explica. “Além disso, estamos em fase de criação de uma linha de blazers para quem está trabalhando em home office”, revela.

Segundo Lucinha, em muitos casos não foi preciso cancelar o sonho do cliente, mas adaptá-lo. As festas se tornaram mais reservadas e intimistas, permitindo que, mesmo on-line, o atendimento fosse realizado e a necessidade do distanciamento criou um paradoxo. “Nós nos aproximamos mais do cliente, encurtamos relações e nos tornamos mais íntimos. Conseguimos personalizar o atendimento e cuidar de todos os detalhes, fazendo com que eles também se sentissem ainda mais especiais”.

Administrador da loja, Luciano Silveira conta que o fluxo presencial no ateliê, os aluguéis e as vendas de trajes reduziram 30%. O número de funcionários também diminuiu, de 15 pessoas para nove, incluindo diretos e terceirizados. “A tradição deu lugar à inovação. Foi tudo muito gradual, mas nossas ações começaram já no início de março com reuniões e planejamento. O período ainda merece cuidado”, analisa.

Lucinha acredita que muitas novidades devem permanecer pós-pandemia: “Continuaremos ofertando alguns produtos mais direcionados. Uma das ações é estar mais perto do nosso cliente e fazer com que se sinta em casa, literalmente”.

Há mais de 37 anos no mercado, Lucinha modifica maneira de atender – Foto: Patrícia Cabral

Da horta para a porta de casa

A publicitária cascavelense Katlen Schaefer conta que a ideia da Horta em Box surgiu de uma necessidade diária. “Começamos a introdução alimentar na vida do meu bebê e, com a pandemia, não conseguia ir ao mercado comprar produtos fresquinhos então surgiu a ideia, já que meu marido e eu estávamos retonando para Cascavel”.

O cliente tem à disposição três opções de caixas, com produtos orgânicos e preços a partir de R$ 29,90. A escolha de frutas e legumes, quantidade e dias de entrega é feita on-line pelos clientes.

A opção já conquistou adeptos em outras cidades da região oeste, como Toledo.

Doce aumento nas vendas

O que é dificuldade para alguns, é oportunidade para outros. Com a restrição dos eventos, a busca por kits de festas delivery aumentou. A festa na caixa se tornou uma opção de presente para aniversariantes e uma maneira de as pessoas se sentirem próximas mesmo em lugares diferentes.

Vanessa Nogueira Lopes e a família trabalham com confeitaria há mais de dez anos. “Já fazíamos festas na caixa antes disso tudo começar, mas nos últimos meses o número de vendas triplicou. Antes da pandemia, os clientes faziam comemorações maiores, vendíamos bolos maiores e maior quantidade de doces e salgados para a mesma pessoa. Hoje, elas continuam comemorando, comprando em quantidades menores, apenas para família ou como opções de presentes”.

A frequência dos pedidos também mudou. Segundo ela, antes as comemorações se concentravam mais em fins de semana e feriados. Agora, todos os dias da semana tem encomendas.

Comemorações mudam de formato

Click a distância

A necessidade de registrar momentos exigiu criatividade e adaptação dos fotógrafos. Momento de fazer pose em um lugar e ser clicada pela máquina em outro. O ensaio on-line foi a forma da fotógrafa Gessiane Oliveira manter a fonte de renda no momento e não cancelar compromissos com clientes. “Fiz uma sessão por brincadeira e deu certo. Quem está do outro lado quer ser fotografado e não pode sair para fazer o ensaio. Fotografei pessoas de outras cidades e até de outros países”, conta. “Ajuda na autoestima de quem está respeitando o distanciamento, cuidando da família. Permite que ela acorde, faça maquiagem, escolha uma roupa, coloque um salto, e vai pro ensaio em casa mesmo. Isso me deixa muito feliz”.