COTIDIANO

Reajuste e reposição: Servidores estaduais ameaçam cruzar os braços

18 de junho de 2019 às 09:37
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Curitiba – A aprovação em assembleia da APP-Sindicato fim de semana pela deflagração de greve na educação a partir do dia 25 de junho pode ser indicativo da decisão das demais categorias do funcionalismo público do Executivo estadual.

Na pauta de reivindicações estão o pedido da reposição salarial de 13% referente aos últimos três anos e 4,95% para este ano, mas as negociações vêm sendo criticadas pelos servidores diante do processo chamado por eles de “inércia do Estado”.

Segundo o secretário de comunicação da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues, já houve oito reuniões com o Executivo na tentativa de se chegar a um acordo, todas elas frustradas. “Em nenhuma ocasião o governador [Carlos Massa Ratinho Junior] nos recebeu. Na última sexta-feira [14], o vice-governador [Darci Piana] esteve conosco, o governador estava em São José dos Pinhais e não foi ao encontro (…) Ele tem tempo para receber empresários, líderes do agronegócio, políticos, mas quem carrega o Estado, como ele disse durante a campanha eleitoral, que os servidores carregavam o Estado nas costas, estes ele não pode receber”, reclama.

Rodrigues considera que, ao não conceder reajuste salarial aos servidores que estão com os salários congelados há três anos, o governador vai contra as próprias promessas de campanha e daquilo que defendia enquanto era deputado estadual. “O que mudou tanto de um ano para cá? Antes dava e agora não dá para conceder o reajuste? Tempos números que comprovam que em 2019 será o ano em que o Estado menos vai gastar com funcionalismo público em uma década. As receitas estão crescendo em torno de 6% neste ano, dar o reajuste e a reposição aos 170.287 servidores e temporários ativos e aos 116.323 aposentados e pensionistas impactaria em R$ 695 milhões e não atingiria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Só em isenção fiscal ele [governador] vai conceder às empresas no Paraná R$ 10,5 bilhões neste ano”, compara.

Polícia Militar

Reunidos no Clube dos Oficiais da Polícia Militar, mais de 400 policiais representados por dez associações, chegaram à conclusão de que, se o governador Ratinho Junior não pagar o reajuste de 4,97% de reposição da inflação e não abrir um canal efetivo de negociação com as entidades até o dia 25, haverá mobilização geral da categoria, com a possibilidade até de esvaziamento de quartéis.

As demais categorias que integram o FES (Fórum de Entidades Sindicais) se reúnem para decidir se aderem à greve a partir da próxima semana. “O que precisa ficar claro é que não queremos greve, mas o Estado não senta para negociar, não apresenta propostas, o governador está nos empurrando para essa greve”, afirma Rodrigues.

Além da data-base, vencida em maio, os servidores pedem a realização de concurso público para professores e servidores de todas as categorias.

Reportagem: Juliet Manfrin

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