Queda de avião: Seripa coleta dados em local de acidente

O Cenipa informou que não há data para que o trabalho seja finalizado, por conta dos muitos fatores que possam estar relacionados ao acidente.

Reportagem: Cláudia Neis

Cascavel – Investigadores do Seripa V (Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão regional que faz parte do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), chegaram no fim da tarde de ontem (18) ao local em que uma aeronave caiu no fim da tarde de domingo (17), em uma mata próximo à PR-184, na região de Espigão Azul, distrito de Cascavel.

Nesta ação inicial são feitos registros fotográficos do local do acidente, posição dói avião e qualquer outro fato da cena que possa auxiliar na apuração do que teria causado a queda da aeronave. Além de colher depoimentos de testemunhas e informações sobre a queda que possam ajudar no trabalho. Após essa coleta de dados no local, pedaços da aeronave serão removidos para uma oficina especializada homologada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que fará a análise do material. Não foi informada a cidade em que existe a oficina no Paraná.

O Cenipa informou que não há data para que o trabalho seja finalizado, por conta dos muitos fatores que possam estar relacionados ao acidente. Mas que todas as investigações são conduzidas para serem finalizadas no menor tempo possível. O Centro lembrou ainda que o objetivo do trabalho realizado é também prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram.

O local permaneceu isolado até a chegada dos investigadores, um segurança particular, contratado pelo proprietário do avião, Nilo Laerse de Rezende, garantiu que as faixas de isolamento não fossem ultrapassadas garantindo a manutenção da cena.

A remoção dos restos da aeronave já seria iniciada após o trabalho dos investigadores. Uma estrada seria aberta para que um trator tivesse acesso ao local. Por não se tratar de aeronave comercial, não há caixa-preta no avião.

Incógnita

Diante das informações repassadas por pessoas que testemunharam o acidente e moradores do local onde o avião caiu, pilotos e técnicos em aviação permanecem sem entender o que poderia ter causado a queda. Um apicultor contou que o motor do avião teria silenciado pouco antes da queda, o que poderia caracterizar pane seca, mas há informações de que o piloto havia abastecido a aeronave com combustível para pelo menos mais uma hora de voo.

Outra testemunha disse que o avião teria voado em círculos antes de cair, uma possível explicação seria para o desvio da rede elétrica próxima, avalia outro piloto.

Mas a presença de lavouras na região – onde poderia ser feito um pouso de emergência, mesmo sem motor -, enquanto a queda ocorreu na mata, também suscita muitas dúvidas, já que o piloto era experiente, com mais de 1.600 horas de voo, inclusive era instrutor.

A reportagem apurou que, caso houvesse falha no motor ou algo do gênero, haveria marcas visíveis na estrutura do avião, o que não foi observado. O avião já estava com trem de pouso acionado e com os flaps das asas acionados para a redução de velocidade, ou seja, preparando-se para descer. Ele caiu a cerca de dois quilômetros da pista onde pousaria.

De acordo com a Anac, a Inspeção Anual de Manutenção do avião tinha vencido no dia 9 de novembro, mas o avião poderia voar por mais 30 dias até a regularização.

O acidente

O avião caiu no fim da tarde de domingo e matou três pessoas: o piloto Magnus Boeno Padilha, o médico cardiologista Eduardo Philippi e sua filha Fernanda, de 12 anos. A esposa de Eduardo, Graziela, foi resgatada com vida e passou por cirurgias no HU (Hospital Universitário) de Cascavel e faleceu na noite desta segunda-feira (18).  A família voltava do litoral catarinense, onde havia passado o feriado. A aeronave havia sido emprestada para a viagem e o piloto contratado como freelancer para o trabalho.

 


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