Para os profissionais de saúde de Foz do Iguaçu, as 908 mortes em decorrência da covid-19 até esta quarta-feira (02) não representam apenas um número, uma estatística. Eles sabem que são pessoas que perderam a luta contra a doença e deixaram famílias em sofrimento.

“Muitos de nós também perdemos amores, e todos os dias recebemos famílias devastadas, que já tiveram várias pessoas da família como vítimas. Quando assistimos aos jornais e vemos que as pessoas continuam se aglomerando em festas, parece que não há luz no fim do túnel”, afirmou a enfermeira Ana Piatzchaki, que atua na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dr. Walter Cavalcante Barbosa, no Morumbi. Além de estar no enfrentamento direto à pandemia há mais de um ano, ela também perdeu o pai para a doença.

Relatos como o da Ana não são incomuns entre os profissionais de saúde. O colega dela, Alex Farina, que também atua na UPA, perdeu a mãe para a doença. A dor pelo falecimento tornou cada um dos casos atendidos pelo enfermeiro ainda mais significativos.

“Nós sentimos que estamos perdendo essa luta, pois a cada desfecho trágico, ficamos muito abalados. Se todos vissem o que enfrentamos aqui, cumpririam todas as medidas de prevenção, isolamento e, claro, a vacinação. Precisamos que você se proteja, para que assim todos fiquem bem”, pediu.

Os relatos dos profissionais de saúde da UPA e do Hospital Municipal serão divulgados nas redes sociais da Prefeitura de Foz do Iguaçu, a fim de conscientizar a população sobre a importância de manter os cuidados que são repetidos desde o início da pandemia: uso de máscara, distanciamento social e higienização frequente das mãos.

Leitos lotados no Hospital Municipal

O alto índice de internamentos é outro dado preocupante em Foz do Iguaçu. A ocupação total dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) está em 98% e, no Hospital Municipal Padre Germano Lauck, referência no atendimento aos casos de covid, a taxa de internações está há um mês em 100%.

A técnica de enfermagem Fabiana Moreira está na linha de frente do hospital desde março de 2020. Entre tudo o que já viu nesse período, ela disse que enfrenta agora o pior momento.

“Em mais de um ano já passamos por muita coisa. Infelizmente, é comum lidarmos com pacientes que são familiares de colegas, pacientes que não resistem logo nos primeiros sintomas e pessoas desesperadas que não encontram mais leitos. Não medimos esforços para salvar vidas, mas sem a conscientização, nada vai adiantar. Não espere perder para começar a acreditar nos riscos deste vírus”, desabafou.

Jessica Gitmayer, enfermeira do Hospital Municipal, destacou a mudança do perfil de internamentos, com pacientes cada vez mais jovens. “Os pacientes internados estão na faixa dos 30 aos 50 anos, quadros que não víamos com tanta frequência anteriormente. Além disso, eles apresentam sintomas cada vez mais graves. Quem está aqui todos os dias, passando por coisas terríveis e desgastantes, sabe a gravidade da doença, mas continuamos firmes, contando com a ajuda de todos”.

Atual cenário da pandemia

Nesta quarta-feira (02), foram confirmados 147 novos casos de covid-19 em Foz do Iguaçu. Atualmente, são 516 casos ativos em isolamento domiciliar e 145 internados. De abril a junho, a média móvel de casos confirmados saltou 107%, de acordo com o diretor da Vigilância Epidemiológica, Roberto Doldan. Ele comentou que os números são elevados e precisam de atenção.

A média móvel de mortes também sofreu um considerável aumento, passando de 2,29 óbitos para 6, um índice 162% maior. A positividade dos exames para a Covid está em 27% – o índice aceitável é de 5 a 10%.

“São mais de 38 mil casos confirmados da doença, não há mais como deixar de se preocupar e pedir para que todos nos ajudem. Os hospitais e unidades passaram por reformas e receberam muitos investimentos, mas nada vai adiantar se as medidas não forem respeitadas”, ressaltou Doldan.