Catanduvas – A possível nomeação do ex-diretor do presídio de segurança máxima em Catanduvas, o delegado da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, Fabiano Bordignon, como diretor-geral do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) caiu como uma espécie de balde de água fria entre os agentes federais em execuções penais pelo Brasil.

A Federação Nacional, que representa 1,2 mil profissionais que atuam nos cinco presídios de segurança máxima e no sistema penitenciário federal, enviou na semana passada uma carta, com cinco páginas, em tom de apelo ao futuro ministro da Justiça e Segurança, o ex-juiz federal Sérgio Moro, pedindo uma audiência com o magistrado que será responsável pelas nomeações. A Federação pedia no documento, publicado com exclusividade pelo O Paraná, para que a classe fosse ouvida sobre o intenso trabalho de combate à criminalidade, o avanço desenfreado de facções criminosas, a liderança exercida pelo crime organizado que consegue agir mesmo de dentro dos presídios e a valorização da classe para ocupar espaços de comando no departamento. Entre as justificativas estava o pedido para que cargos e funções indicados no Depen não fossem mais loteados nem utilizados como acomodação política, a exemplo do que vem sendo feito, segundo a Federação, há 13 anos no sistema.

Desta forma, a entidade pedia para que as nomeações fossem feitas com profissionais de carreira, conhecedores e entendedores do sistema.

A ventilação do nome do delegado da PF como diretor-geral do Depen teria gerado desconforto entre os agentes, sobretudo porque outros departamentos, também vinculados ao Ministério que será comandado por Moro, são historicamente chefiados por profissionais de suas respectivas pastas, como o Departamento da Polícia Federal e o Departamento da Polícia Rodoviária Federal. A entidade que representa os profissionais reforça ainda que a nomeação “representaria um retrocesso e que seria o contrário que se preconizou em campanha eleitoral pelo presidente eleito Jair Bolsonaro” do ponto de vista da renovação e valorização dos profissionais da segurança pública.

Como Sérgio Moro ainda não respondeu ao pedido de uma audiência entre ele e representantes da Federação Nacional dos Agentes Federais em Execuções Penais, este deverá ser o assunto amplamente debatido na pauta de uma assembleia que reúne a categoria amanhã à noite. A ligação direta feita pela categoria à possível nomeação de Bordignon ao cargo é o fato de o delegado da PF ter sido diretor da penitenciária em Catanduvas no mesmo período em que Sérgio Moro havia sido juiz corregedor na unidade prisional.

A reportagem apurou ainda que os agentes deverão deliberar, nesta assembleia, que ações deverão tomar diante da nomeação de cargos alheios ao setor.