Cascavel – O caso envolvendo o Porto Seco de Cascavel ainda não tem uma solução e corre o risco de interromper suas atividades em 2022, diante da possibilidade de a licitação para o novo contrato de concessão ser deserta, ou seja, não existir interessados e habilitados para o certame. O fechamento traz grande preocupação pois resultaria em um prejuízo estimado de R$ 120 milhões, gerando impacto econômico negativo muito grande em toda a região.

O terminal é um instrumento de extrema importância para o desembaraço aduaneiro de produtos importados e exportados do Brasil, Argentina, Paraguai e Chile. Ele também possibilita as importações e exportações das indústrias e agroindústrias da região, via Porto de Paranaguá e Aeroporto Internacional Afonso Pena.

Para que não haja o risco de fechamento do Porto Seco de Cascavel, está sendo realizado um estudo para formatação de uma parceria entre o IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná) e a Ferroeste, que é uma empresa de capital misto. Desta forma, a parceria atenderia as exigências e determinações do edital da Receita Federal.

De acordo com Leandro do Nascimento Lecca, analista administrativo do Porto Seco, a parceria entre o IDR e a Ferroeste garantiria a continuidade dos trabalhos no terminal. “Essa parceria ainda é embrionária, mas seria uma válvula de escape para viabilizar a participação na futura licitação. A grande vantagem da parceria é porque o IDR tem experiência em administração e a área pertence à Ferroeste”, disse. O novo contrato de concessão tem prazo de 25 anos.

Uma audiência pública virtual foi realizada no dia último dia 7 deste mês e a expectativa é de que o edital de licitação seja lançado pela Receita Federal no prazo de 90 a 120 dias. Segundo o auditor-fiscal da Receita Federal, Marcelo Mossi Vendramini, o processo licitatório deve seguir um trâmite legal e a Comissão Especial de Licitação trabalha com a previsão de que até o fim do primeiro trimestre de 2022 os trabalhos estejam concluídos.

A partir de então, ficaria a cargo da empresa vencedora do certame, que teria um prazo máximo de 18 meses para entrar em funcionamento.

 

SEM PARAR

A pandemia de Covid-19 tirou a vida de mais de 606 mil brasileiros até o mês de outubro e trouxe prejuízos inestimáveis à população. Um dos setores mais prejudicados foi o do comércio, pois os empresários, micro e pequenos empreendedores tiveram que fechar as portas em razão dos decretos estaduais e municipais como medidas de combate e prevenção à doença.

Em contrapartida, serviços considerados essenciais não foram interrompidos nestes pouco mais de um ano e meio de pandemia. Conforme Lecca, o volume de carga e veículos que foram liberados em Cascavel pelo Porto Seco se manteve estável. “Em momento algum a gente parou durante a pandemia. Nos últimos 12 meses foram liberados 8.578 veículos pelo Porto Seco, sejam veículos de exportação ou importação. Isso equivale a aproximadamente 250 mil toneladas em produto”, relatou, lembrando que o Porto Seco é utilizado por pequenas e grandes empresas de Cascavel, Toledo e outras cidades da região.

 

APOIO DA ACIC

O presidente da Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel), Genesio Pegoraro, enviou um ofício ao governador Ratinho Junior pedindo apoio parar consolidação da parceria entre o IDR-PR e a Ferroeste. Conforme Pegoraro, o assunto tem sido debatido por líderes das mais diversas entidades do setor produtivo a fim de que se encontre uma alternativa.

“O Oeste do Paraná está entre as regiões do país que mais se desenvolvem social e economicamente. Mas, para seguir essa trajetória ela precisa de investimentos constantes em melhorias estruturais e logísticas”, cita um trecho do ofício. (Redação – Paulo Eduardo)

 

 

FOTO: Divulgação

(Redação: Paulo Eduardo)