POD lista prioridades e se reúne com Estado e União

Cascavel – Com a transferência da sede do governo do Estado para Cascavel dias 7 e 8 (quinta e sexta-feira), o POD (Programa Oeste em Desenvolvimento) já agendou uma série de encontros e reuniões formais com o governador Ratinho Junior e com secretários estaduais. A lista inclui ainda encontros ministros e representantes do governo federal.

Unimed

O POD elencou um pacote de assuntos que deverá ser tratado com os novos gestores. No topo da lista, dentre as 21 prioridades traçadas para o desenvolvimento regional como bandeiras do programa, vão para a mesa de debates como temas essenciais e inadiáveis as questões ligadas a infraestrutura, logística e sanidade animal. Inclusive, sobre a questão sanitária, já segue com os encaminhamentos para a última imunização contra a aftosa em maio próximo, garantindo então o Estado livre da doença sem vacinação e, em dois anos, no cenário internacional.

Segundo o presidente do POD, Danilo Vendruscullo, essa condição só beneficiará o Paraná com valorização, praticamente imediata, de 15% de toda proteína animal produzida no Estado. O oeste tende a ser um dos maiores beneficiados porque a região concentra 40% do rebanho estático de suínos do Paraná, é o maior abatedor de aves do País e possui uma das maiores bacias leiteiras do Estado. “Tudo se encaminha muito bem para essa nossa última vacinação em maio e isso será extremamente benéfico para todos nós”, reforça.

Aeroporto sai!

Os demais assuntos estão pautados na infraestrutura e logística e o principal deles se refere ao aeroporto regional.

No mês passado o Estado pediu mais tempo – seis meses – para se aprofundar e conhecer melhor o projeto de desapropriação da área e de construção da nova estrutura. O presidente do POD reforça que a entidade não discorda do governo e até admite que os processos anteriores foram realizados quase que a toque de caixa para viabilizar os recursos ainda no Governo Cida Borghetti para o pagamento das indenizações das desapropriações. “Não estamos em desacordo com o que o Estado pediu. Ele quer conhecer o projeto todo. Essa é uma demanda regional, é viável e não vai voltar para a gaveta. O Aeroporto Regional vai sair, isso não se discute mais, esta é uma conquista da região”, ressalta, ao destacar que o governo atual está revisando todo o projeto para estar alinhado com ele.

Privatizações

Questionado se líderes regionais não temem a inviabilidade da estrutura diante das declarações do presidente Jair Bolsonaro de que irá privatizar todos os aeroportos, Vendruscullo garante que não: “O governo quer privatizar os aeroportos maiores, que não faz sentido serem administrados pela Infraero. Concordamos com isso. Ele sinaliza que fará isso para dar mais suporte aos aeroportos menores, com menor fluxo de passageiros, como será o nosso caso”.

“Das nossas 21 prioridades, o aeroporto figura entre as seis mais importantes. A sociedade quer, a região precisa e o governo vai atender”, completou.

 

 

Isenção de ICMS por dez anos para energia limpa

O POD também deverá apresentar na próxima semana uma proposta ao governador, na presença de diretores da Copel, para suprir a demanda de energia elétrica na ponta. Há anos todas as cadeias do setor produtivo, desde a indústria até o campo, sofrem com as quedas, a qualidade ou a falta de energia que afetam o funcionamento das máquinas, queimam aparelhos e matam animais com desabastecimento de água, comida e pelo excesso de calor.

A alternativa a ser apresentada será a geração de energia limpa por biodigestores (biogás) e placas fotovoltaicas nas propriedades de modo que possam ser lançadas à rede. “Isso supriria a demanda na ponta, mas precisamos do Estado garantias como a isenção do ICMS por pelo menos dez anos para que os investidores se sintam confiantes em fazer os investimentos”, completa.

Entre os exemplos a serem lembrados ao governador está a estação em construção para produção por biodigestores em Entre Rios do Oeste e que deverá ser concluída ainda neste semestre com capacidade de produção de meio megawatt. Há ainda duas outras bases em edificação em Toledo com essas mesmas características, mas com capacidade de produção de um mega, e que servirão como projeto-piloto que poderá ser replicado por todo o Paraná. “Esse é um problema que precisa ser solucionado. Temos alternativas, mas precisamos de garantias”, completa o presidente do POD, Danilo Vendruscullo.

 

E a Ferroeste?

O transporte entra na pauta com dois assuntos importantes. Sobre o pedágio, Danilo Vendruscullo reconhece que será preciso aguardar do governo federal um posicionamento sobre as concessões de rodovias, se o Anel de Integração vai voltar para a União, por exemplo. “Mas seria justo uma redução de pelo menos 50% nos valores”, defende.

Já o novo traçado da Ferroeste, de Dourados, no Mato Grosso do Sul, até o Porto de Paranaguá também está na ponta da lista: “Estamos em contato para saber se vem alguém e quem vem do Ministério dos Transportes [ao Show Rural]. Acreditamos que, a exemplo de outros projetos, este, no Paraná, também deverá ser revisado pela União (…) mas o processo todo passa por um ciclo normal de desenvolvimento”.

Segundo Danilo, os projetos com sugestões para os traçados já estão prontos e a proposta de manifestação de interesse para buscar interessados nos investimentos segue em andamento, normalmente. “Acompanho de perto essa questão da ferrovia, mas o governo federal está revendo esses projetos e a Ferroeste também pode passar pelo processo de reavaliação e de ajustes. O maior volume de produção hoje, com um grande gargalo para o País, corresponde aos grandes centros produtores de soja e milho, como o Mato Grosso, por exemplo. Eles enfrentam problemas sérios de escoamento, muito mais sérios que o nossos, o nosso maior problema no oeste do Paraná é o alto custo dos pedágios, não temos problemas de acesso aos portos. Se resolve o pedágio, o custo logístico reduz muito para a nossa região”, completa.

“Na questão da ferrovia, o governo [federal] deverá reavaliar prioridades, como o traçado Norte Sul”, sugere.

Questionado se ele acredita que, diante desses indicativos, o projeto de ampliação da Ferroeste poderá ser esquecido, o líder regional acredita que não, mas ressalta que não se pode esquecer que esse trabalho precisa ser alinhado com os governos. “Nós temos uma ferrovia que tem problema de fluxo e de velocidade, ela é muito lenta, mas a temos”, disse, referindo-se ao trecho de 250 quilômetros da Ferroeste entre Cascavel a Guarapuava, e que hoje opera com menos de 10% da sua capacidade.


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