Pela 1ª vez na história, Ferroeste registra lucro

Desde o início da operação da ferrovia, em 1996, é a primeira vez que a ferrovia fecha um ano sem prejuízo.

Reportagem: Josimar Bagatoli 

Cascavel – Após uma história de sucessivos prejuízos, que passaram de R$ 110 milhões, a Ferroeste fechou o primeiro ano com lucro operacional. O balanço com os números da companhia em 2019 deve ser divulgado nesta semana e a projeção é de que a empresa confirme um superávit de R$ 500 mil. Desde o início da operação da ferrovia, em 1996, é a primeira vez que a ferrovia fecha um ano sem prejuízo.

Ante o resultado positivo, a meta é de que em 2020 a empresa garanta lucros, após a implantação de um plano de ação corajoso comandado pelo engenheiro civil André Luís Gonçalves, que assumiu os trilhos paranaenses em fevereiro de 2019.

Com adequações internas que garantem mais economia, o cascavelense conseguiu reverter o prejuízo acumulado anualmente, na faixa de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões, para uma situação de estabilidade. “Implantamos um modelo de gestão mais eficiente, buscando entender a situação financeira. Traçamos um planejamento estratégico por meio de 21 planos de ação: alguns efetivados e outros em andamento. Esperamos reestruturar a empresa para operar em uma condição financeira adequada”, explica Gonçalves.

A grande aposta da Ferroeste é o EVTEAJ (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Jurídica) dos projetos da Nova Ferrovia, de Paranaguá a Maracaju (MS) e do ramal ferroviário de Cascavel a Foz do Iguaçu. O custo total desse levantamento será de R$ 25 milhões e a previsão é de conhecer a vencedora em março. “Temos muitos gargalos a serem resolvidos. A ferrovia não atende na velocidade que a demanda precisa. O estudo contratado é o maior do Brasil. A Ferroeste tem pela frente mais 59 anos de concessão, precisamos pensar em algo estruturado e nada no improviso. Como operamos hoje é muito pouco. Serão necessários 15 meses para termos esse parecer? Sim! Mas há 30 [anos] não temos trilhos novos. Apenas remendos não serão suficientes”, diz Gonçalves.

Finanças

O faturamento da Ferroeste sofreu significativo aumento nos últimos meses. De janeiro a novembro foram R$ 28,1 milhões, aumento de 46% na comparação com 2018, quando somou R$ 19,3 milhões; em 2017 foram R$ 15,7 milhões. No ano, o faturamento passou de R$ 30 milhões.

Isso graças ao aumento significativo no volume transportado, que passou de 700 mil toneladas em 2018 para 1,1 milhão de toneladas ano passado. Mas, apesar do crescimento, o volume ainda está bem abaixo da sua capacidade de 5 milhões de toneladas por ano. “Mas a estrutura que a Ferroeste tem hoje não permite fazer mais do que fizemos”.

O terminal ferroviário de cargas conta com 1,6 milhão de metros quadrados, 17 empresas instaladas e capacidade estática de 520 mil toneladas. São 14 locomotivas, 450 vagões; 53% das movimentações são de soja, 25% containers, 19% cimento, 2% milho, 0,4% fertilizantes e 0,4% outros.

O trecho da Ferroeste vai até Guarapuava. A partir de lá, quem assume é a Rumo Logística, e que já manifestou seu interesse em assumir o oeste. Tudo dependerá de acordos com a União e se haverá a antecipação do certame, que termina daqui a sete anos. Apesar da vontade da Rumo, o setor produtivo é totalmente contra essa negociação, pois há anos denuncia o descaso da operadora com as cargas que saem do oeste.

“Essa operação dividida de trechos não viabiliza tecnicamente um preço adequado. É preciso que o setor produtivo participe das discussões e reclame, pois o problema só será resolvido com um projeto estruturante adequado, para que o produto chegue ao Porto de Paranaguá de maneira adequada. Qualquer remendo não resolverá a situação”, afirma o presidente da Ferroeste.

 

 

 

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