Embora esteja com os cinco terminais de transbordo prontos, a Prefeitura de Cascavel decidiu adiar novamente a implantação do novo sistema do transporte público.

Da previsão de meados de janeiro, agora o prefeito Leonaldo Paranhos (PSC) diz que os ônibus só devem começar a operar na Avenida Brasil no fim de fevereiro. E declara: se precisar, postergará quantas vezes for necessário.

A meta era iniciar a operação ainda no ano passado.

A justificativa de Paranhos é a preocupação com a segurança dos passageiros. Além de os ônibus voltarem à Avenida Brasil e terem portas do lado esquerdo, o receio é do risco de acidentes no início da implantação.

O Município pretende improvisar para tentar reduzir os riscos: a ideia é implantar barreiras nos pontos de ônibus maiores da avenida para que os passageiros desembarquem e evitem o acesso direto à pista. Para isso, uma licitação está em andamento. “Precisamos ter muita calma com essas alterações. São grandes mudanças que vão afetar não somente os passageiros, mas o trânsito como um todo. Precisamos ter cautela com essa implantação do novo sistema”, explica Paranhos.

Entraves

Os sucessivos atrasos foram causados pela construção dos terminais, feita em etapas conforme a disposição financeira; pavimentação dos corredores exclusivos; instalação dos tachões nos corredores das Avenidas Brasil, Barão do Rio Branco e Tancredo Neves.

Mas um dos maiores problemas têm sido as obras da Avenida Tancredo Neves. Recentemente foi aprovado aditivo de prazo e de valor. A obra passou de R$ 12.872.268,92 para R$ 13.481.881,15.

O contrato com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) tinha prazo de cinco anos de execução, que terminava em dezembro passado. Diante dos imprevistos, a prefeitura conseguiu mais prazo.

O contrato total prevê empréstimo de US$ 27 milhões, com igual contrapartida do Município.

Sistema temporal indefinido

Uma das promessas antigas da bilhetagem eletrônica, o sistema temporal (que permite a troca de ônibus durante o trajeto sem nova tarifa) ainda é uma incógnita. Agora, a Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito) disse que precisou fazer um estudo para verem como será adotado.

Os 41 novos coletivos já estão nas garagens, as planilhas de horários e itinerários estão fechadas, mas não haverá sistema novo por enquanto.

Passagem a R$ 3,80

Segue a incógnita sobre o reajuste da passagem do transporte público, que sempre ocorre na primeira semana do ano. Conforme Cettrans, as empresas não teriam entregado as planilhas com índice.

“Devido a um desacordo entre o sindicato dos motoristas e as empresas sobre o reajuste salarial dos motoristas, as concessionárias não conseguiram fechar os cálculos. Mas, por exemplo, em Toledo a passagem também era de R$ 3,65 e foi para R$ 3,80, valor que talvez possa ser a nova tarifa daqui, se for levarmos em conta a inflação. Mas depende muito dos nossos cálculos e os das empresas”, adianta o presidente Alsir Pelissaro.