Onda de crimes apavora a população

A população que vive nos municípios está sofrendo com uma onda de assaltos, violência e com a falta de efetivo policial

Ibema – O aumento de casos de assaltos e furtos, as constantes cobranças da população e a falta de providências dos órgãos competentes levaram o prefeito de Ibema, Adelar Arrosi, a procurar o Ministério Público para buscar uma solução à onda de insegurança que aflige a cidade. “Tenho uma reunião nesta terça-feira com o promotor de Catanduvas para falar sobre a situação. Não há mais como viver assim. A população não sabe mais o que fazer e procura o prefeito; eu falei com a Polícia Militar, mas falta efetivo no Município. Mandei ofícios para o comandante do 6º Batalhão da PM, para o secretário de Segurança Pública, Rômulo Marinho Soares, para o governador e até para o presidente da Alep [Assembleia Legislativa do Paraná] pedindo que nos ajudem, mas até o momento não houve resposta”, desabafa o prefeito.

Ele afirma que a sensação de insegurança é constante. “São roubos em casas e comércios. Os bandidos têm agido à luz do dia… Teve um comércio assaltado nessa segunda-feira (20) às 9 da manhã. A situação é grave”, ressalta o prefeito. “Antes eram realizadas blitze, fiscalizações… revistavam as pessoas, os carros e eram identificadas pessoas com más intenções. Mas, com efetivo tão pequeno como o nosso, não tem como agirem dessa forma”.

O assalto de ontem citado pelo prefeito aconteceu no comércio da Marcélia, que, assustada, espera providências. “Um rapaz e uma moça, os dois são conhecidos na cidade e não estavam encapuzados, entraram armados e assaltaram a loja. Levaram nove vidros de perfume e uns dez bonés, cerca de R$ 700 de prejuízo. Mas a pior parte foi ficar sob a mira da arma… mexe muito com o psicológico… estou profundamente abalada”, disse a empresária Marcélia Regina Cercal.

Ela tem a loja há 11 anos e é a primeira vez que foi vítima da violência.

No último dia 15, uma família passou momentos de terror. Os bandidos entraram pelos fundos da casa e renderam todos. As vítimas foram ameaçadas com uma faca e uma mulher foi ferida pelos bandidos, que fugiram sem levar nada. Uma das vítimas usou as redes sociais para pedir providências. “O caos que Ibema está se tornando é uma coisa inexplicável (…) Não culpo a polícia, que prontamente chegou à minha casa pra tentar ajudar, mas infelizmente dois soldados não são capazes de controlar toda a onda de atrocidade que vem acontecendo por aqui”.

Quedas do Iguaçu

Situação similar vive a população de Quedas do Iguaçu. As ocorrências são cada vez mais frequentes. “A criminalidade virou rotina na nossa cidade nos últimos anos. Em 2018, com a vinda do BPFron, houve uma melhora, mas de uns seis meses para cá a situação ficou bem complicada de novo. Falta efetivo da PM para evitar as ações dos marginais. Os policiais que estão aqui fazem muito bem seu trabalho, mas estão em um número insuficiente”, afirma o presidente da Aciqi (Associação Comercial e Empresarial de Quedas do Iguaçu), Rodrigo Leandro Guzzo.

Ele conta que, na tentativa de auxiliar no trabalho da polícia e coibir os crimes, projetos de vigilância comunitária em grupos de WhatsAPP estão sendo implementados. “Começamos com o Comércio Seguro, que são comerciantes que, através das câmeras de segurança e da própria observação, trocam informações em um grupo no qual também participam policiais. Como deu certo, agora já existe o mesmo projeto nos bairros e está sendo implementado na área rural. Assim, a pessoa cuida da própria casa, mas ajuda o vizinho a cuidar da dele, avisando sobre algo suspeito e a polícia pode agir e prevenir uma possível ação dos bandidos”, detalha Rodrigo.

Ele defende que seja instalado um comando da PM independente no local. “Quedas é uma cidade que recebe muita gente, até por essa questão das terras da Araupel. Vem gente de bem, mas também muitos mal-intencionados. Por isso, um comando da PM aqui, independente de Cascavel, como é agora, com mais efetivo deve melhorar essa insegurança que estamos vivendo”.

O número de homicídios registrados na cidade também chama a atenção. De acordo com moradores, nos últimos três meses de 2019 houve pelo menos sete homicídios e este ano já aconteceram duas mortes violentas.

Guaraniaçu

Outro município que sofre com a insegurança é Guaraniaçu. Uma série de arrombamentos e furtos tem sido registrada e os moradores pedem mais policiamento. “Eu saí de casa por duas horas para ir visitar um amigo doente, quando voltei tinham arrombado e levado um monte de coisas. Isso durante o dia. Foi no dia 15 e até agora ninguém foi preso”, lamenta uma moradora, que pediu para não ser identificada.

Ela relata ainda que o número de homicídios nos últimos meses também tem deixado muita gente assustada.

De acordo com a Polícia Civil, houve aumento de homicídios, mas não está ligado ao aumento da criminalidade. “Nós tivemos de dezembro de 2018 a janeiro de 2019 o registro de um homicídio no Município. Esclarecido e o autor preso. Já de dezembro de 2019 até o dia 20 de janeiro foram três homicídios. São quatro vítimas, já que um dos casos foi do casal morto a facadas. Todos esses crimes também já foram esclarecidos e os autores presos, nesse caso cinco autores porque somente na morte do casal são três pessoas acusadas. Mas a motivação desses crimes é pessoal, um foi por ciúme e outros dois vingança… não quer dizer que haja aumento da criminalidade”, esclarece o delegado da Polícia Civil de Guaraniaçu, Bruno Falci.

O que dizem as autoridades?

A reportagem procurou o 6º Batalhão da Polícia Militar de Cascavel e a Secretaria de Segurança Pública, mas ninguém respondeu aos questionamentos.

 

 



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