Sábado é dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidente de Trabalho e, nos últimos dois anos, 2016 e 2017, 61 acidentes de trabalho foram registrados em Cascavel, de acordo com o Sintrivel (Sindicato dos Trabalhadores em Construção Civil de Cascavel). Em 2018, até agora, foram nove.

Os dados assustam, mas não mais que a estimativa do sindicato, que acompanha a maioria dos casos de acidente apenas pela veiculação na imprensa. Por isso, a realidade é bem diferente: pelo menos o dobro de acidentes de trabalho ocorre na cidade, mas esses dados não são contabilizados por diversos motivos.

“As empresas não cumprem com a norma de informar os acidentes. Tem construtora que prefere não chamar o Siate, porque sabe que corre o risco de um processo. Então, resolve encaminhar o trabalhador para atendimento particular e, o restante, fica por debaixo dos panos”, afirma o presidente do sindicato, Roberto Leal Americano.

Novo controle

O que deve facilitar, a partir de agora, a estatística, é uma nova forma de controle por meio de um registro no Corpo de Bombeiros, que detalha a possibilidade de o atendimento se tratar de um acidente de trabalho. “Com isso, conseguiremos monitorar melhor os casos e fazer os acompanhamentos”, relata.

De acordo com informações extraoficiais de socorristas do Corpo de Bombeiros, pelo menos uma pessoa é encaminhada por dia ao HU (Hospital Universitário) com amputação de membro, por conta de acidente com máquina, de trabalhos realizados em casa ou em empresas.

Mortes

Em 2017 e 2016, duas mortes foram registradas, de acordo com o Sintrivel. Em 2018, foram três, em um mesmo acidente. Trabalhadores foram soterrados em uma construção no Centro da cidade. A tragédia ocorreu em fevereiro deste ano e foi embargada pelo Ministério do Trabalho, alegando irregularidades. O processo permanece em averiguação pela Procuradoria do Trabalho em Cascavel. Detalhes não foram repassados porque, segundo a Procuradoria, a investigação segue em sigilo.