O associativismo proporciona a base para o empresariado pós-moderno

Opinião de Elizabeth Bozza

Como o mundo empresarial está sofrendo grandes transformações, é de extrema importância que todos os players de um segmento econômico se unam para enfrentar as dificuldades, solucionar problemas comuns e propor alternativas para avançar. O associativismo tem se mostrado há séculos que é uma ferramenta de extremo valor e relevância para o empresariado.

JK

Hoje, no Brasil, por exemplo, as indústrias sofrem com o desaquecimento econômico generalizado; com a onda do realinhamento, fusões e aquisições internacionais, e ainda com ameaças como a possibilidade de uma abertura comercial descompensada. Por isso, a união fortalece a todos.

Mais do que nunca, as empresas precisam convergir seus interesses num ponto comum para alcançarem a potência necessária com a união e fazer valer concretamente essas demandas e o que for conveniente para todo o grupo. Um negócio isolado dificilmente conseguirá chegar a bom termo em questões estratégicas complexas em política e economia. Além disso, com o esforço rateado entre vários pares, o custo do empenho será distribuído entre todos, bem como também os dividendos.

Hoje, por exemplo, nossa entidade, a Abimaq, representa cerca de 7,5 mil empresas de diferentes segmentos de fabricação de bens de capital mecânicos, reunindo uma força extraordinária no setor produtivo brasileiro. Não podemos deixar que esse capital acumulado seja atravancado por questões contingenciais, pelo contrário, é preciso que ele se expanda mais ainda para consolidar a base industrial brasileira e aperfeiçoar os bens produzidos para o consumo interno e externo.

Nos Estados Unidos, onde o liberalismo é sólido, nós observamos associações de empresas que têm alto poder de influência, inclusive assegurando que emendas constitucionais pétreas continuem intocadas, apesar de séculos de existência e de forte antagonismo de certos grupos sociais da população.

Um detalhe importante para o associativismo é que ele também precisa aprender como ter melhor performance com seus próprios associados, especialmente no que diz respeito a finanças, operações, RH, marketing e comunicação, além de outros aspectos. Portanto, sempre é necessária uma gestão altamente profissional e eficiente para que todos os membros sejam devidamente recompensados e satisfeitos com o serviço prestado.

A informação e o conhecimento cresceram numa proporção jamais vista na história nas últimas décadas, por isso, uma entidade associativa, seja de que setor for, necessariamente precisa difundir esses novos saberes por meio de sua área de treinamento, além de promover regularmente eventos como congressos, fóruns, seminários, encontros e outros formatos que efetivamente irradiem novas aprendizagens e domínios tecnológicos, isso tanto para lideranças, como para gerências e coordenações de médio escalão.

Há um aspecto sociológico importante também no associativismo, a ideia de pertencimento, de identidade e de propósitos comuns. O homem é um ser gregário e necessariamente precisa de um espaço e tempo para se agrupar, interagir e se comunicar. Isoladamente, ele perde sua força, seu interesse e sua ligação com parceiros, que podem ajudá-lo no famoso networking empresarial ou trabalho em rede. Nesse novo mundo digital, é indispensável promover contatos, porque amizade é capital.

É natural que existam também divergências e pontos de vista discordantes numa associação ou grupo social, mas isso é salutar também, porque desta dialética sempre acaba se chegando a um ponto de interesse maior. Como disse o poeta norte-americano Robert Frost: “Uma ideia é um feito de associação”.

 

Elizabeth Bozza é economista com MBA em marketing e diretora conselheira da Abimaq

 

 

JK

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