O aquecimento global para alguns especialistas

Opinião de Alvaro Boson de Castro Faria

Existem muitas controvérsias sobre a veracidade da ocorrência do aquecimento global e sobre as consequências das mudanças climáticas, e entender o componente político que existe nessas discussões pode ajudar na formação de uma opinião independente.

Apresentamos neste artigo algumas opiniões por especialistas. Primeiramente, contemporâneo a Einstein, o matemático e físico Freeman Dyson, britânico, desenvolveu modelos do comportamento do clima e afirmou que nunca poderemos saber o suficiente para predizer o futuro.

Outro cientista, laureado com o prêmio Nobel, também opinou contrariamente à tese da elevação da temperatura. Para Ivar Giaver, físico norueguês com dupla nacionalidade, a tese do aquecimento não se justifica porque as amostragens científicas não são suficientes. Com seus 90 anos, Giaver mostra entusiasmo ao criticar o aquecimento global como “pseudociência”, afirmando que a comunidade cientifica passou a não permitir mais a sua contestação, como se fosse uma verdade absoluta e uma pseudorreligião.

Para Patrick Michaels, climatologista da Universidade da Virgínia, as temperaturas estão, sim, aumentando. Em sua análise, o problema é que a modelagem estatística adotada pelo IPCC não é confiável por superestimar os resultados. Ele justificou que os dados foram parametrizados para permitirem uma análise que dilatou sobremaneira as estimativas, e que essas transformações na prática forçaram os resultados. Também afirmou que a modelagem não considerou os efeitos da umidade que vem das regiões tropicais.

Já o jornalista e meteorologista americano John Coleman, um dos maiores críticos do IPCC, usou de sua influência na mídia para acusar o democrata Al Gore por ter interesse em auferir dividendos políticos e econômicos na ONU. Para Coleman, Al Gore ficou convencido do aquecimento global na época em que fora universitário ainda na década de 1970 por Roger Revelle, um dos primeiros físicos que havia hipotetizado o fenômeno. Ocorreu que, já no fim da carreira, Revelle desistiu da tese. Só que Gore já havia se alçado politicamente, inclusive ganhando o prêmio Oscar com o documentário An inconvenient Truth (Uma verdade inconveniente), e já seria muito tarde para desistir da opinião.

Muitos cientistas brasileiros têm se manifestado contra a tese do aquecimento global. Luiz Carlos Molion certamente pode ser considerado o mais incisivo nas críticas. Para ele, o CO2 é o gás da vida, e existem muitos outros fenômenos geofísicos que devem sem inseridos nos modelos climáticos, a exemplo do efeito da lua sobre as marés e a tectônica das placas. Molion, inclusive, afirma que o planeta está é se resfriando.

Como professor pela UTFPR nas áreas de incêndios florestais e de política, entendo que os efeitos do aquecimento global existem e sejam mais percebidos onde a massa continental e a densidade populacional sejam maiores.

Acredito que, no hemisfério Sul, ocorram mudanças climáticas associadas a El niño e La niña, e que esses eventos não estão condicionados à poluição nem às queimadas. Também defendo que as regiões acima das latitudes dos trópicos sejam as mais vulneráveis, e que o Brasil está em uma zona de conforto. E, nesse ponto, entram os efeitos dos diferentes interesses políticos, sobre como a sociedade brasileira se portará em administrar a água produzida na Amazônia, e dissipada para o planeta, gerando as preocupações internacionais sobre esta região.

 

Alvaro Boson de Castro Faria é doutor e engenheiro florestal, professor da UTFPR Câmpus-DV  e conselheiro Aefos/PR

 



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