Cotidiano

Número de pacientes aguardando leito hospitalar cai quase 75% em um ano

Média de 250 pacientes aguardando leito caiu para 64, na semana passada

Número de pacientes aguardando leito hospitalar cai quase 75% em um ano

Reportagem: Cláudia Neis

A regulação de pacientes que aguardam vagas em hospitais diariamente na Macrorregional de Regulação caiu quase 75%, registrando um marco histórico de 64 pacientes aguardando vaga na semana passada, contra a média de 250 de quando a Macrorregional foi criada e a regulação passou a ser feita pelo Consamu, em novembro de 2018. “É um número muito expressivo, uma vitória mesmo! Chegamos a esse número na última quarta-feira (22). Estou nessa área desde 2005 e nunca havíamos alcançado números tão bons”, comemora o diretor da 10ª Regional de Saúde, João Gabriel Avanci.

A melhora nos números se deve ao trabalho diário de muitos profissionais, uma vez que não houve aumento no número de leitos. “A mudança na regulação, que, com o início dos trabalhos do Consamu passou a ser feita por um médico 24 horas por dia, aumentou em 30% o número de pacientes regulados para os hospitais. A informação chega de forma mais clara e objetiva ao hospital, o que facilita e muito a regulação do paciente. Os outros 70% de aumento se deu por conta das auditorias diárias que começaram a ser realizadas no dia 2 de novembro do ano passado nos prestadores [hospitais], que encontraram muitos leitos vagos que não eram comunicados à Central de Regulação. A auditoria diária fez com que essas vagas fossem imediatamente preenchidas com os pacientes já clicados. E foi assim que chegamos a esse número”, detalha João.

O diretor técnico do Consamu, o médico Rodrigo Nicácio, também ressaltou a importância da presença do médico 24 horas na Regulação: “O médico passa a informação mais precisa ao prestador, o que ajuda muito na obtenção da vaga. Assim como o relatório dos leitos vagos, gerados pelas auditorias diárias, que são imediatamente ocupados. Os números são resultado do trabalho em equipe tanto com Consamu quanto da 10ª Regional, com importante apoio dos hospitais credenciais ao SUS [Sistema único de Saúde]”.

Leitos

João afirma que a macrorregião tem, proporcionalmente à população, número menor de leitos do que outras regiões, por isso a importância da melhor administração, que trouxe bons resultados.

Ele acrescenta que, com as auditorias, houve uma aproximação da 10ª Regional com os prestadores e, com diálogo, os problemas foram sendo resolvidos. “Com os números encontrados nas auditorias de leitos houve muitas conversas com os prestadores, o que antes não ocorria… Identificamos que os leitos ficavam vagos por problemas na gestão dos núcleos de regulação dos prestadores. Falha e demora na comunicação… essas questões foram sendo trabalhadas e afinadas com os prestadores e tudo foi se encaixando melhor”, explica.
Mas, mesmo com a melhora, não há a intenção de suspender a realização das auditorias.

Variação de acordo com a demanda
João Gabriel Avanci lembra que essa situação pode oscilar rapidamente. “É um número que não atingiremos sempre, porque tudo depende da demanda, do número de pacientes que chegam à Regulação. Nessa segunda-feira (27), por exemplo, fechamos o dia com 79 pacientes clicados [à espera de leito]. De qualquer forma, a melhora significativa mostrou que estamos no caminho certo e que precisamos continuar trabalhando nesse sentido”, ressalta.

Fluxo de ortopedia
Outras mudanças implementadas a partir do diálogo entre prestador e governo do Estado é o novo fluxo de ortopedia, que dividiu entre os prestadores a regulação dos pacientes e que tem como meta reduzir a espera nas UPAs (Unidade de Pronto-Atendimento) para até 24 horas. “Ainda não chegamos à nossa meta de 24 horas, mas acreditamos que dará certo. Já houve uma melhora considerável na regulação dos pacientes, mas, como começamos em dezembro e logo após vários médicos saíram de férias, há também essa necessidade de adaptação à nova realidade pelos prestadores, que vem com o tempo. Houve alguns picos de demanda. Em um dia entraram 14 pacientes ortopédicos somente de Cascavel, então isso também aumenta esse tempo de espera. Mas, com a volta dos profissionais das férias, a situação deve ser normalizada em breve”, garantiu o chefe da 10ª Regional, João Gabriel Avanci.

Os casos ortopédicos representam praticamente a metade dos casos diários clicados na Macrorregulação.

João cita ainda a mudança de direção no HU (Hospital Universitário), principal referência da regulação. Segundo ele, com a nova equipe, a evolução tanto no recebimento de pacientes quanto no relacionamento trouxe uma melhora significativa no trabalho realizado.

HU programa pagamento a médicos
O grave problema da falta de insumos e medicamentos no Hospital Universitário de Cascavel, noticiado diversas vezes e acompanhado pelo Ministério Público, e o atraso constante no pagamento dos médicos terceirizados, começam a ser resolvidos.

De acordo com o reitor Alexandre Webber, o pagamento dos salários de janeiro já está encaminhado, com a liberação orçamentária conseguida ontem (27), além disso, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) enviou emergencialmente ao HU itens que estavam em falta.
Webber planeja manter estoques de dois meses e afirma que a situação já começa.