MST tem disputa interna para venda ilegal de áreas

O negócio lucrativo tem despertado concorrência dentro do próprio MST e há dois grupos vendendo as áreas e entrando em conflito pelos imóveis

Reportagem: Josimar Bagatoli

Quedas do Iguaçu – A venda de imóveis em áreas da Araupel por membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) chegou até a Alep (Assembleia Legislativa do Paraná). A oferta tem sido bastante atrativa para os interessados: cada cinco alqueires por R$ 15 mil. A denúncia foi feita pelo deputado estadual Coronel Lee (PSL), que vem acompanhando o caso de perto. “São chácaras produtivas. Parece um ótimo negócio, no entanto, existem vários ‘probleminhas’: no entorno a mata vem sendo dizimada; quem compra não tem direito à documentação”, lista.

O gabinete do parlamentar teve acesso a registros da Polícia Civil com relatos de uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) mantida como refém supostamente por membros do MST, que cuidam da área comercializada. “A equipe do Samu estava se deslocando, entrou no caminho errado e chegou a esses terrenos. Os profissionais ficaram refém, levaram tapa na cara e viram uma quantidade infinita de armas: isso tudo em declaração feita à Polícia Civil local. Havia pistolas, revólveres calibre 12, fuzis 762 e 556. Mas qual número de armas? 20, 30 ou 40? Muito mais que isso, contaram as vítimas”, relata o deputado.

O negócio lucrativo tem despertado concorrência dentro do próprio MST e há dois grupos vendendo as áreas e entrando em conflito pelos imóveis. “Os vendedores pertencem a facções distintas e estão brigando entre eles, tudo isso na Araupel. Antes eles estavam restritos a um local chamado Projeto 4, mas agora se distanciaram e ampliaram os negócios e estão trazendo pessoas de outros estados. Por R$ 15 mil cinco alqueires, quem não vai querer?”

Coronel cobra reintegração

O deputado Coronel Lee diz que o governador Ratinho Júnior (PSD) teria recebido recomendações para não intervir na situação em Quedas do Iguaçu, feitas pelo Comando da PM e pela Secretaria de Segurança Pública. A invasão aconteceu em junho de 2014, quando o governador era Beto Richa (PSDB). A empresa de 43 anos teve 1.470 hectares ocupados pelo MST, botando em risco mais de 1,2 mil empregos.

Coronel Lee critica a situação: “Se eu fosse governador, estaria morrendo de medo, porque quando vem uma situação dessas vou me aconselhar com os secretários da pasta, se passam a mim e falam: ‘esse troço vai dar rolo, vai ter passível humano, vai ser caso político’, eu, governador, digo, ‘tô fora, não vou fazer’. Viu senhor secretário de Segurança e comandante da PM, tão com medinho? Estão com medo?”.

O deputado afirma que há uma estratégia de desocupação – montada por ele – pronta, mas que depende do aval do governo do Estado. “Há 160 ocupações no Estado. Estrategicamente, a primeira a ter reintegração deve ser de Quedas. Se a alegação é o custo ou a falta de efetivo, há um negócio chamado Força Nacional, basta um ofício de meia página do governador ao governo federal que desembarcam aqui quantas tropas o Paraná quiser. Se não há logística, temos o Exército: eles estão aguardando nosso chamado, prontos com blindados, barracas com seus quartéis para auxiliar nosso efetivo. Tem comida, tem combustível e tem radiocomunicadores”.

“Logo vamos encontrar Che Guevara”

O policial militar Washington Lee Abe, 54 anos, está no primeiro mandato – eleito com 58.343 votos – foi comandante do 5º Comando Regional da PM no Oeste do Paraná, por isso tem conhecimento sobre a área ocupada na Araupel. Ele alega que já há uma estratégia de desocupação – montada por ele – pronta, mas depende do aval do governo do estado. “Há 160 ocupações no Estado. Estrategicamente a primeira a ter reintegração deve ser de Quedas. Se a alegação é o custo ou falta de efetivo, há um negócio chamado Força Nacional – basta um ofício de meia página do governador ao governo federal – desembarcam aqui quantas tropas o Paraná quiser. Se não há logística, temos o Exercito: eles estão aguardando nosso chamado, prontos com blindados, barracas com seus quartéis para auxiliar nosso efetivo. Tem comida, tem combustível e tem radiocomunicadores”, afirma Lee.

Sobre a inércia do Estado, o deputado acrescenta e alerta: “Podemos aguardar mais 20 anos, quando acabarmos em total descrédito, quanto tiver uma terra de ninguém. Daqui 20 anos vamos lá, ai vamos encontrar Che Guevara, ele e a cúpula, comandando o Brasil.

Mais uma vez, Lee culpa supostos conselheiros os quais o governador tem dado ouvidos. “Para um ato desses, vamos usar um efetivo menor que usamos na Copa. Não me venham com medinho senhores, pois se fosse o governador estaria debaixo da mesa com conselhos desses aÍ”.



Fale com a Redação

2 × cinco =