missaufrj.jpgRIO – A penúria do Estado do Rio vem prejudicando o trabalho de peritos da Polícia
Civil e, consequentemente, impedindo a elucidação de crimes. Uma semana depois
do assassinato do estudante da UFRJ Diego Vieira Machado, de 29 anos, no campus
da Ilha do Fundão, investigadores ainda não sabem o que o levou à morte: embora
a Divisão de Homicídios tenha pedido exames complementares no corpo, faltam
reagentes químicos para fazê-los. Além disso, o cromatógrafo do Instituto
Médico-Legal ? aparelho usado para análises toxicológicas ? está quebrado desde
outubro de 2015. Por causa disso, mais de dez mil exames complementares de
necrópsia estão sem conclusão.

A Reitoria da UFRJ chegou a oferecer seus laboratórios de análises químicas à
Polícia Civil para a realização dos exames do caso de Diego. Mas a oferta acabou
provocando um impasse. Uma fonte da Polícia Civil disse ao GLOBO que foi pedida
ajuda à universidade para a conclusão de outros mil exames, mas não houve
resposta. Por meio de uma nota, a Reitoria da UFRJ informou que a instituição se
dispôs a ajudar a Polícia Civil no caso do universitário e que pretende discutir
a questão com a Secretaria estadual de Segurança. Morte na UFRJ – 04/07

A presidente da Associação de Peritos do Estado do Rio de Janeiro (Aperj),
Denise Rivera, disse que o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) tem
dois cromatógrafos, mas ambos também estão quebrados. Os contratos para a
manutenção dos equipamentos foram cancelados no ano passado, devido à crise
financeira. Denise afirmou que esses aparelhos são essenciais para análises
químicas de entorpecentes apreendidos pela polícia, e, em exames de necrópsia,
identificam substâncias tóxicas.

? Falta tudo para os peritos estabelecerem diagnósticos. Estamos fazendo o
máximo possível para não paralisar os serviços. A perícia é fundamental para a
sociedade, pois é do bom resultado dela que se evita a impunidade. Como a
investigação pode prosseguir no caso do homicídio do estudante da UFRJ? Com
parte dos exames de necrópsia, foi possível concluir que as lesões encontradas
no corpo de Diego não foram a causa de sua morte. Isso que dizer que ele não foi
assassinado? Claro que não. São necessários mais exames. O trabalho ficou pela
metade ? afirmou Denise.

Para saber se Diego foi envenenado ? uma das hipóteses que está sendo
investigada pela DH ?, o IML reservou sangue, urina e vísceras do universitário,
e em quantidade dobrada, para o caso de a família exigir novas análises, como
prevê a lei. Aí, surge um outro problema: o sistema de refrigeração do instituto
começa a apresentar problemas por falta de manutenção.

A Polícia Civil não quis comentar os problemas enfrentados por seus
peritos.

CAMPANHA POR DOAÇÕES

A presidente da Aperj denuncia que o ICCE não tem mais
condições de fazer análises de drogas sintéticas, como ecstasy, apreendidas pela
polícia. E também faltam produtos químicos para os trabalhos do Instituto Félix
Pacheco (IFP). Para tentar amenizar os problemas, a associação planejou o
lançamento de uma campanha, batizada de ?Amigos da perícia?, para pedir doações.

O traslado do corpo de Diego para sua terra natal ?
Belém do Pará ? deverá levar quatro dias, segundo uma funerária contratada pela
UFRJ. Ontem, foi realizada uma missa em sua homenagem, na Paróquia de Nossa
Senhora de Copacabana. O estudante Heglan Moura, de 25 anos, lembrou do
amigo:

? Era uma pessoa muito querida, emanava arte e poesia. Não fazia mal a
ninguém. Hoje estamos aqui porque queremos permanecer unidos neste momento de
dor.

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