Colheita pode ser recorde com excelente desenvolvimento do milho safrinha

Toledo – O elevado volume de chuva que tem caído na região nas últimas semanas – mais de 200 milímetros nos últimos 15 dias, em média, em parte dos municípios do oeste do Paraná – não tem preocupado em nada o campo. Aliás, segundo o técnico José Pértille, do Deral (Departamento de Economia Rural) do Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento), a umidade e o calor estão sendo extremamente benéficos para o milho safrinha.

Com 100% das lavouras cultivadas, o oeste plantou nesta safra quase 760 mil hectares, de onde se espera colher cerca de 5 milhões de toneladas.

Ocorre que as boas condições de evolução, com 60% das lavouras em desenvolvimento vegetativo e outros 40% já em floração, prometem uma supersafra como há muito não se vê.

E as justificativas são claras. O milho na safra de verão, que pode render produtividade superior a 7,5 mil quilos por hectare, rende bem menos no inverno, ficando no máximo na casa dos 5 mil ou 6 mil quilos por hectares. “Isso ocorre porque o cultivo de inverno sofre com as condições climáticas, menos luminosidade durante o inverno, e, claro, mais frio. Então o desenvolvimento é inferior e, na prática, isso representa menos produtividade na hora da colheita”, conta o agrônomo Lucas Dantas.

O diferencial este ano é que boa parte das lavouras foi cultivada muito mais cedo do que de costume. Como o calor excessivo e a falta de chuva encurtaram o ciclo da soja, muitos produtores colheram a oleaginosa quase um mês antes do previsto e, como o plantio é direto, saiu a soja e entrou o milho, ou seja, antecipando em cerca de um mês sua germinação. “E esse milho está exposto a mais tempo de sol, os dias ainda são longos, a chuva não está atrapalhando e o calor está sendo proveitoso, ou seja, as condições da safrinha hoje são idênticas às condições da safra de verão, e, por isso, corremos um risco bom de ter uma colheita muito boa. Na prática, o milho poderá render mais se o clima continuar contribuindo”, seguiu o agrônomo.

Expectativa

Para José Pértille, que tem percorrido o interior e está em contato direto com produtores e cooperativas, a região oeste pode colher uma supersafra, uma das melhores dos últimos anos. “O desenvolvimento está excepcional. Muito bom. O milho está muito bonito, temos tudo para ter uma supersafra”, reforçou.

A condição é bem diferente da vivida no ano passado, por exemplo. A safrinha fechou com perdas históricas depois do atraso no plantio provocado pela falta de chuva e outras interferências do clima que prejudicaram o desenvolvimento. No oeste, foram colhidos 3 milhões de toneladas em 2018.

A colheita da safrinha na região deve iniciar em pouco mais de um mês.

Colheita da soja

A colheita da soja caminha para o fim. No Núcleo de Toledo as lavouras já estão totalmente colhidas e as perdas se confirmam em 43%.

No Núcleo de Cascavel a quebra ficou abaixo de 15%, mas ainda restam cerca de 4% das áreas para serem colhidas.

Segundo o técnico José Pértille, a chuva não tem atrapalhado esse processo e o grão não corre risco de apodrecer no campo. “Não temos tido vários dias de chuva seguidos. Chove bastante, mas para e então o produtor consegue colher normalmente”, destacou.

A colheita deve estar completamente encerrada na região até a próxima semana.

No oeste, a produção esperada da soja era, no início do ciclo, de 3,8 milhões de toneladas. Hoje, esse volume está na casa de 2,8 milhões de toneladas, ou seja, perdas de 1 milhão delas.

Conab estima 233,3 milhões de toneladas

A safra de grãos 2018/2019 deve alcançar a marca de 233,3 milhões de toneladas, 0,4% menor que o levantamento anterior. Em relação à safra 2017/2018, a previsão indica aumento de 2,5%. Os dados do 6º levantamento foram divulgados ontem (12) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

“Tivemos algumas dificuldades climáticas. Houve uma quebra na soja, no arroz e no feijão, mas o milho teve desempenho muito bom e o algodão também. Isso é suficiente para atender ao nosso consumo interno com bastante tranquilidade e cumprir os compromissos de exportações, sem problemas”, disse o diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Silvio Farnese.

Apesar da redução em relação ao levantamento anterior, a Conab destaca que a safra atual será a segunda maior da série histórica do País. “O bom desempenho é impulsionado pela melhora da produção do milho na segunda safra do grão”, diz a companhia.

Para a segunda colheita do milho, a expectativa é que a produção chegue a 66,6 milhões de toneladas, volume 23,6% superior ao registrado na safra passada. “Esse resultado é reflexo da maior área”, afirma o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana. “Com 80% dos grãos já plantados, os agricultores devem destinar 12 milhões de hectares para plantio em vez dos 11,5 milhões de hectares da safra passada”.

Por outro lado, a soja, responsável por cerca de 49% da produção nacional de grãos, terá redução de 4,9%, chegando a 113,5 milhões de toneladas. A quebra de safra, prevista em 5,8 milhões de toneladas, pode ser observada em importantes estados que cultivam a oleaginosa, como Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e a região do Matopiba, principalmente na Bahia. Mesmo assim, esta é a terceira maior produção já registrada, chegando próximo ao volume total de soja produzidos pelo país na safra 2004/2005.

O feijão também apresentou produção menor na primeira safra. Com uma colheita de 987,5 mil toneladas, a queda pode chegar a 23,2%.

Área plantada

A área semeada na safra 2018/2019 está estimada em 62,9 milhões de hectares e se confirma como a maior já registrada no país. O crescimento esperado é de 1,9%, ou 1,15 milhão de hectares, em relação à safra passada.

Reportagem: Juliet Manfrin 



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