As florestas plantadas representam, mundialmente, grandes fontes de abastecimento de madeira nos segmentos industriais de celulose e papel, painéis reconstituídos, móveis, siderurgia a carvão vegetal, energia e produtos de madeira sólida.

A produção florestal, antes vista como um sistema de grande escala, voltada apenas para aquisição de áreas latifundiárias migra para um modelo de produção em áreas de pequenos e médios produtores rurais.

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBA), da área total de 7,84 milhões de hectares de árvores plantadas no Brasil em 2016, 34% pertencem às empresas do segmento de celulose e papel, 29% encontram-se proprietários independentes, pequenos e médios produtores do programa de fomento florestal que investem em plantios florestais para comercialização da madeira in natura, 14% encontram-se no segmento de siderurgia a carvão vegetal e outros 23% encontram-se nos demais segmentos.

As plantações florestais, como qualquer atividade econômica, possuem o potencial de modificar a estrutura e o comportamento do pequeno, do médio e do grande produtor, incluindo a produção florestal dentro da matriz produtiva da propriedade. Mesmo em pequenas áreas, os plantios florestais ajudam a diminuir a pressão sobre as florestas nativas e atendem as necessidades da sociedade em bases sustentáveis. As florestas plantadas permitem o atendimento da demanda dentro da propriedade e/ou a venda da matéria-prima ou produtos finais, gerando renda na propriedade.

Além disso, as florestas têm importância fundamental na atividade integrada ao consumo industrial, possuindo um papel indispensável no desenvolvimento socioeconômico das comunidades regionais e à sustentabilidade dos empreendimentos florestais e industriais.

No Paraná, grande parte da madeira consumida é na forma de biocombustível para produção de energia. A lenha, principal fonte no Paraná, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2016), apresentou consumo de aproximadamente 13.830.644 metros cúbicos, sendo 11.532.325 metros cúbicos provenientes de florestas de Eucalyptus spp. O sudoeste do Paraná apresentou consumo de lenha de eucalipto de 1.427.482 metros cúbicos, 12,37% do consumo estadual.

Se analisarmos a área total plantada com espécies de Eucalyptus spp. no sudoeste do Paraná, nota-se uma demanda por plantios florestais em algumas microrregiões do sudoeste do Paraná nos próximos anos, principalmente regiões com grandes complexos agroindustriais, como Francisco Beltrão e Dois Vizinhos.

Segundo estudos, a área total de eucalipto é de apenas 16.293 hectares, sendo necessários aproximadamente 5.948 hectares anuais para atender a demanda existente de florestas energéticas. Pesquisas realizadas apresentam resultados de totalidade para as áreas de florestas de Eucalyptus spp. e não abrangema finalidade, assim, devemos assumir que, a exploração econômica dessas florestas poderá ser para diversos fins e não destinado apenas para produção de energia.

Alternativas à produção de lenha, como biocombustíveis alternativos principalmente de origem florestal, com maior valor agregado, como o cavaco e o pellet, ganharão cada vez mais espaço, porém, não alterarão a necessidade de investimento em florestas para atender e manter a estrutura energética na região. Logo, medidas preventivas devem ser tomadas para que não haja um colapso futuro.

Dentre as medidas buscadas destacam-se: construção de novas estratégias de incentivos ou fomento florestal para a região, especialmente por meio da integração entre instituições e empresas; implantação de projetos de integração entre pecuária, agricultura e floresta (ILPF, ILF, IPF); e cluster de florestas energéticas.

Os engenheiros florestais têm atuado fortemente no desenvolvimento de projetos para a geração de energia de biomassa, a qual é base para diversos outros sistemas produtivos no estado do Paraná.

Anathan Bichel é engenheiro florestal, mestre em Bioenergia – [email protected] Sócio da Aefos-PR