Marechal Cândido Rondon –  Doula, do grego, significa “mulher que serve”. Atualmente, o termo é destinado para se referir à mulher que acompanha a gestante e lhe oferece conforto, encorajamento, tranquilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de intensas transformações que está vivenciando, um pouco antes e, principalmente, durante o parto natural.

O Município de Marechal Cândido Rondon deu um grande passo no reconhecimento do trabalho dessas mulheres. A Lei 5.048 foi sancionada pelo prefeito Marcio Rauber, na última quarta-feira (9).

O projeto de lei de autoria do vereador Claudio Kohler foi aprovado em definitivo pela Câmara no dia 25 de março. A lei, agora sancionada pelo Executivo, dispõe sobre a presença de doulas em maternidades e estabelecimentos hospitalares públicos e/ou conveniados com o SUS (Sistema Único de Saúde) no município rondonense. Segundo o vereador, a legalização do trabalho das doulas proporciona mais conforto para elas e para as gestantes.

Os locais descritos na lei ficam obrigados a permitir a presença de doulas durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, bem como consultas e exames de pré-natal, sempre que solicitadas por escrito pela gestante e parturiente.

As doulas deverão obrigatoriamente ser cadastradas no Cnes (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) e nos setores administrativos dos estabelecimentos hospitalares municipais para a atuação.

Outros estados brasileiros já possuem uma lei que permite a presença das profissionais, incluindo as cidades de Curitiba, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e União da Vitória.

O papel da doula

O papel da doula surge como forma de tentar suprir uma lacuna que passou a existir no momento em que a mulher vai parir seu filho. Antigamente, o nascimento era marcado pela presença e pela experiência das mulheres da família: avós, mães, tias, irmãs mais velhas, que acompanhavam, apoiavam e sabiam o que fazer na hora do parto e como auxiliar a recém-mamãe e o recém-nascido, além de que o parto frequentemente ocorria em casa.

Segundo a doula Gilvana Costa, hoje o cenário de um parto natural é totalmente diferente. Mais masculinizado, com a figura de enfermeiros e médicos, o ambiente hospitalar também deixou de ser tão acolhedor como o conforto do lar, no entanto, abriu espaço para mais tecnologia na área de saúde. A questão é que o cuidado com o bem-estar emocional da parturiente ficou de lado no ambiente impessoal dos hospitais, o que causa frequentemente o aumento do medo, a dor e a ansiedade de quem está prestes a dar à luz, consequentemente aumentando as complicações obstétricas e necessidade de maiores intervenções.

“A doula surge para suprir essa lacuna e proporcionar um momento mais seguro e tranquilo para a parturiente. É ao mesmo tempo um resgate de uma prática ancestral, que se alinha muito bem com as técnicas que possuem respaldo científico hoje, para a hora do parto”, explica, enfatizando que a doula pode acompanhar tanto partos domiciliares, como hospitalares.

 

Grupo especializado

Em Marechal Rondon, surgiu recentemente o grupo Doulas Marechal, composto por mulheres que têm se especializado na área e já realizam atendimentos. São elas: Gilvana Costa, Rutyeine Rannov e Débora Petry. “O grupo surgiu pensando justamente, em dar mais visibilidade para esta, que é uma profissão que precisa de força e apoio para ser reconhecida, além de nos mantermos atualizadas e dando suporte uma à outra. Costumo dizer que a mulher não precisa de uma doula para parir, mas que todas merecem uma”, destaca Rutyeine.

Pesquisas recentes apontam para os resultados obtidos quando uma doula está presente no parto: diminuição em 50% as taxas de cesárea; diminuição em 20% da duração do trabalho de parto; 60% menos de pedidos de anestesia, menos 40% de uso da oxitocina e forceps.

O que a doula faz

O serviço da doula pode começar antes do dia do nascimento do bebê, com encontros para conhecer a gestante e a família, além de informá-la sobre as etapas do trabalho de parto, preparação e elaboração do plano de parto. Está presente no momento do nascimento e também pode continuar após a chegada do novo membro da família, tirando dúvidas sobre o início da amamentação e conversando sobre a experiência do parto.

O suporte informativo é muito importante. É através da doula que a gestante pode ter os termos médicos e os procedimentos hospitalares explicados. Já no trabalho de parto, a profissional ajuda a mulher a encontrar as posições mais favoráveis durante as contrações, faz massagens e compressas para aliviar a dor, ajuda o parceiro a se envolver e participar ativamente do parto e informa o casal sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados. O suporte emocional também existe e consiste na presença contínua ao lado da parturiente, dando e tranquilidade.

A doula não substitui o pai na sala de parto e não realiza qualquer procedimento médico.