Cascavel – A indústria da transformação, terceiro principal setor de geração de empregos no Paraná, sofreu duro impacto em junho deste ano em decorrência especialmente da greve dos caminhoneiros (21 a 31 de maio) e fechou 2.167 postos de trabalho no mês. A perda é quase três vezes maior do que a registrada no mesmo período de 2017, quando a evolução no mercado também se mostrou negativa, com o fim de 857 vagas formais.

O panorama geral das indústrias no Estado e na região oeste foi apresentado em encontro promovido pelo Sistema Fiep na Casa da Indústria de Cascavel pelo economista Evânio Felippe na manhã de ontem. Ele falou sobre os prejuízos da greve que parou o País e das dificuldades que todos os setores da economia ainda enfrentam em decorrência dela. “De forma geral, a atividade de alimentos no Paraná, que é a principal atividade econômica industrial do Estado, foi fortemente impactada e dentro da região oeste ela também tem sofrido esse impacto”, explicou.

De acordo com o economista, responsáveis por indústrias ainda passam por ajustes para recuperar as perdas para então retomar as contratações. “Além da greve, que não foi solucionada, houve reajuste de 17% na tarifa de energia elétrica e isso interfere em todos os setores empresariais e industriais. A tabela de frente mínimo também precisará ser avaliada e o cenário se torna ainda mais complicado em ano de eleições, já que muitos irão esperar a definição do pleito para voltar a investir”.

A previsão inicial de especialistas era de que precisaria de três meses para que a atividade produtiva voltasse à normalidade. No entanto, o cenário já aponta para a necessidade de um período maior. “Há conversas internas da Fiep que cogitam seis meses para recuperar todas as perdas decorrentes da greve. O principal desafio diante desse cenário é o empresário olhar um horizonte um pouco melhor, fazer ajustes e recuperar as perdas para que possa voltar a investir na economia”, ressalta Felippe.

Por enquanto, o cenário não tem se mostrado favorável, inclusive, pelo índice de confiança em pesquisa da CNI (Confederação Nacional das Indústrias). A série histórica mostra que em julho de 2017 o índice era de 53,3% e agora caiu para 50,2%. Valores acima de 50 pontos indicam confiança do empresário. Quanto maior o resultado, maior e mais disseminada é a confiança. A CNI aponta ainda queda de 16,7% no faturamento real no País, 2,4% nas horas trabalhadas na produção, 1,4% no rendimento médio mensal e 0,6% no emprego.

“Não podemos regredir e nos encolher. Apesar de todos os números e indicadores mostrarem que há uma retração no comércio, na indústria e nas exportações, vejo que precisamos ser otimistas e pensar que essa crise vai passar. Para isso precisamos melhorar e seguir em frente”, avalia o presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Oeste do Estado do Paraná, Gilberto Bordin.

Grande desafio

Para retomar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), o País terá um grande desafio. Após quatro anos de saldos positivos, o Brasil registrou uma queda expressiva na taxa entre 2015 e 2016, que chegou a -7,5%. “Serão necessários de três a quatro anos para recuperar toda a queda na produtividade se houver crescimento de 2% ao ano, mas, para isso, será necessário um esforço gigantesco”.

Uma análise inicial da Fiep dos prejuízos que a greve deixou no Brasil é de R$ 180 bilhões devido aos dez dias de paralisação.

Estabelecimentos

O Paraná conta hoje com 310.692 estabelecimentos produtivos. Desses, 118.307, ou seja, 38,1%, correspondem ao comércio. Na sequência está o segmento de serviços, com 108.458 estabelecimentos, seguido pela extrativa mineral, indústria de transformação e serviços industriais de utilidade pública, que totalizam 35.313 locais de trabalho. A agropecuária representa 9,4% dos estabelecimentos no Estado (29.290) e a construção civil 5,9% (18.195). O setor de serviços no Paraná ocupa 1.003.429 trabalhadores, o que representa 33,3% do total de pessoas empregadas no Estado. O comércio, 658.316, o que equivale a 21,8% dos empregos, e a indústria de transformação, 619.534 vagas (21,6% do total).

 

Evolução na indústria de transformação PR 2017 2018
jan/jun 10.473 8.715
maio 1.275 -1.165
junho -857 -2.167
Evolução na indústria de transformação Cascavel 2017 2018
jan/jun 817 581
maio 221 60
junho 20 -139
*fonte Caged/MTE

Paraná é o quarto em contratações

O Paraná ocupa o quarto lugar no ranking nacional de geração de empregos no primeiro semestre do ano, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

No primeiro semestre de 2018, foram criadas 32.030 vagas no Estado, o que coloca o Paraná atrás de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.

Em comparação com o mesmo período de 2017, o Paraná apresentou um aumento de 32%. “Este foi o melhor resultado dos últimos quatro anos”, disse o secretário especial do Trabalho e Relações com a Comunidade, Paulo Rossi. Segundo ele, os dados do acumulado de 2018 mostram uma tendência de crescimento do mercado de trabalho no Paraná, e também uma recuperação da economia do Estado, tendo em conta a crise vivida no país.

Entre os setores que mais contrataram de janeiro a junho de 2018 estão o setor de Serviços, que teve um saldo positivo de 22.570 postos de trabalho, seguido pela Indústria de Transformação com 9.030 (positivo).

Queda em junho

O desempenho de junho apresentou queda nas contratações no Brasil, com 661 vagas fechadas. O Paraná fechou o mês com saldo negativo de 6.009. Os setores que mais contribuíram com essa queda foram o Comércio, que teve um saldo negativo de 2.264, seguido pela Indústria, com fechamento de 2.209 postos de trabalho.