Hospital conveniado ao SUS pode ser despejado

Hospital Salete pode estar com os dias contados

Referência no atendimento cardíaco para o oeste do Estado, o Hospital Nossa Senhora da Salete e Hospital do Coração está prestes a ficar sem teto. São mais de 50 anos de prestação de serviços. A estrutura física da instituição é alugada e há dois anos os proprietários moveram uma ação judicial cobrando a desocupação do imóvel.

O motivo seria o desacordo em relação aos valores e aos pagamentos do aluguel atrasados. O valor cobrado na ação judicial correspondente a dívida do hospital de R$ 587.802,58 (em 2017). Uma grande construtora já teria até se oferecido para comprar o terreno que fica entre a Rua Carlos de Carvalho, esquina com a Rua Minas Gerais, no Centro de Cascavel. A intenção seria dar lugar a um edifício residencial com salas comerciais.

Após frequentes suspensões do processo que tramita na 5ª Vara Cível desde 2017, mês passado os gestores do Hospital Nossa Senhora da Salete deixaram de se manifestar por mais de 60 dias e perderam a fase de recursos e contestações. No início do mês, já em execução da sentença, a Justiça emitiu a ordem de desocupação do imóvel em 15 dias, cujo prazo começou a contar no dia 5 de abril, data da notificação.

Estrutura

O Hospital Nossa Senhora da Salete possui 19 leitos de UTI (Unidade Terapia Intensiva) para casos cardíacos, vasculares e ortopédicos, conveniados com o SUS (Sistema Único de Saúde). Com o fechamento das portas, os pacientes cardíacos terão de disputar leitos de UTI no Hospital Universitário – que recebe grande demanda de vítimas de acidente de trânsito e outros casos de urgência – e no Hospital Policlínica.

A preocupação ainda se dá pelo curto prazo, pois, conforme servidores, as UTIs ainda estão ocupadas com casos de alta complexidade.

Convênio com SAS

Além das vagas de urgência e emergência, o Hospital é responsável pelas consultas pelo SAS – são 19,5 mil funcionários públicos dependentes do atendimento. O contrato de um ano foi assinado em agosto passado no valor de R$ 8,7 milhões.

Embora o imbróglio judicial complete dois anos, os servidores – médicos, enfermeiros e zeladores – desconhecem a ordem de despejo. Há inclusive clínicas dentro do hospital que pagam aluguel e que até ontem desconheciam a ordem de despejo.

Oficialmente, o governo estadual ainda não foi notificado.

Procuradas pela reportagem, as partes interessadas no processo não quiseram se manifestar publicamente sobre o caso. O diretor técnico Rogério Lunardelli foi contatado, mas não retornou as ligações. O advogado dos proprietários do imóvel, Maurício Vieira, disse que “não iria comentar o processo”. O prefeito Leonaldo Paranhos também foi procurado, mas não retornou às ligações até o fechamento desta edição.

Reportagem: Josimar Bagatoli

 

 



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