Hórus já evitou entrada de R$ 2,5 bi em produtos ilegais

O balanço parcial feito pela PF revela que nesses 50 dias deixaram de entrar no Brasil pelo menos R$ 2,5 bilhões de produtos ilegais, como cigarros, armas, munições, drogas e eletrônicos

Reportagem: Juliet Manfrin 

Guaíra – Perto de completar dois meses, a Operação Hórus, das Polícias Federal e Rodoviária Federal, da Força Nacional, do BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira) e do Exército, na fronteira do Brasil com o Paraguai tem o objetivo de enfraquecer quadrilhas e minimizar a entrada de cigarros contrabandeados.

O objetivo da operação, afirma a Polícia Federal, é reduzir o máximo possível a atuação de contrabandistas e traficantes no estancamento financeiro desses grupos.

A principal rota atacada é a região de Guaíra e cidades próximas, de Foz do Iguaçu até o interior paulista, em Rosana, passando por toda a Costa Oeste por via terrestre e fluvial. Hoje a região de Guaíra é a principal porta de acesso de ilícitos vindos do país vizinho.

O balanço parcial feito pela PF revela que nesses 50 dias deixaram de entrar no Brasil pelo menos R$ 2,5 bilhões de produtos ilegais, como cigarros, armas, munições, drogas e eletrônicos. Cruzavam o Rio Paraná cerca de 300 lanchas carregadas todos os dias, que agora sumiram.

Os agentes apreenderam 40 mil caixas de cigarros – média de 8 mil caixas/dia – e quase 3 toneladas de maconha, além de outras drogas, armas e munições. Juntos, esses produtos são avaliados em cerca de R$ 115 milhões.

Apesar do acirramento nas fiscalizações, muitos contrabandistas e traficantes se arriscaram e isso resultou em 170 veículos apreendidos e 37 pessoas presas. “A ação continuada leva contrabandistas a uma situação de desespero, mas também sabemos que o desespero pode levar a uma condição de confronto, aliás, eles já estão sendo registrados e estamos preparados para isso”, afirma um dos líderes da operação.

Houve quatro enfrentamentos com duas mortes de suspeitos, ambas em Guaíra. O saldo conta ainda com um agente da PF ferido, mas sem risco à vida, em Altônia, há cinco meses, nos preparativos da operação.

Já as duas mortes foram neste mês e em julho. Uma foi durante abordagem na BR-282. O condutor não obedeceu à ordem de parada e fugiu. Um policial disparou contra o pneu do veículo, mas o projétil perfurou a lataria e acertou a perna do motorista, que morreu no local. No carro havia cigarros contrabandeados.

A outra morte aconteceu dias depois e teve o Exército como protagonista. Dois homens em uma lancha com cigarros teriam partido contra os militares com a embarcação. Os militares revidaram e um dos suspeitos foi morto. Essa situação e a operação fizeram com contrabandistas se unissem para protestar, pedindo para que o rio fosse liberado para “que pudessem voltar a trabalhar”. Grupos em WhatsApp foram criados para organizar a mobilização.

O confronto mais recente aconteceu nesta semana, na Base Náutica de Itaipu, em Foz do Iguaçu. Apesar da troca de tiros, ninguém ficou ferido, mas foram apreendidos 700 caixas de cigarros, uma lancha e um caminhão. “Acreditamos que essas investidas fiquem ainda mais intensas conforme o tempo for passando e não conseguirem transportar os produtos”, antecipa o agente.

 

 

 

 

 

 

 

 



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