Gasolina recua ao valor de antes da greve de maio

Cascavel – Em 2018 o brasileiro sentiu no bolso o peso da gasolina e a falta dela, quando muita gente fez romaria aos postos para garantir o produto que ficou escasso por conta da greve dos caminhoneiros, motivada exatamente pela alta do preço do diesel. Para surpresa de muitos, o fim do ano se aproxima com um dos menores preços da gasolina do ano, bem abaixo dos picos que fizeram muitos trocar o carro pela bicicleta.

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Sábado a Petrobras anunciou mais uma queda de preços, fazendo com que o valor do litro na refinaria sem adição de impostos ficasse em R$ 1,6734, valor perto do cotado em 10 de abril. A partir de então o preço explodiu e chegou a R$ 2,2514 em 14 de setembro, alta de 34% em cinco meses.

A queda do preço é reflexo de dois fatores: “O valor do petróleo está baixando. Há uma maior oferta do produto no mercado e com isso o barril passou de US$ 67 para US$ 60. Outro fator crucial é a cotação do dólar, que passou dos R$ 4,20 em setembro para R$ 3,70 depois das eleições. Isso interfere diretamente no preço da gasolina. Por isso, nas últimas semanas já tivemos uma baixa de cerca de R$ 0,20 no litro nas bombas”, explica o diretor do sindicato que representa a categoria, o Sindicombustíveis, Roberto Pellizzetti.

E ele acredita que o preço caia mais, pois o barril do petróleo deve continuar em queda, assim como o dólar não deve oscilar muito neste fim de ano. “Depois das eleições há uma nova perspectiva de reação da economia. As empresas voltam a investir e com isso a expectativa é de que o dólar baixe ou pelo menos se mantenha, o que faz com que os preços sigam essa linha. E também esperamos que as vendas aumentem, já que de um ano e meio para cá o movimentou caiu em pelo menos 10% por conta da crise”, afirma Roberto.

Preço nas bombas

A variação de preços nas bombas dos postos da região oeste, segundo Roberto Pellizzetti, ocorre por conta da margem de lucro que varia entre 9% e 12% e, principalmente, dos custos de cada empresa. Quem tem frota própria, por exemplo, consegue valor menor, já que não enfrenta os valores da tabela de frete em vigor desde junho.

“Baixamos a gasolina na última semana de R$ 4,59 para R$ 4,44. Reflexo de uma baixa anterior na refinaria, mas a expectativa é baixar ainda mais e estimular o movimento. Nesta época de fim de ano, com as férias escolares, esperamos que aumentem em média 60% as vendas e, para isso, contamos com o preço mais atrativo”, explica a gerente de um posto de Cascavel Jane Minatti da Luz.

Em Toledo, em dois postos consultados a gasolina custava R$ 4,49 e R$ 4,51 a aditivada. A reclamação do proprietário de um dos postos é que as distribuidoras não repassam o mesmo percentual das refinarias, o que faz com que a redução não seja significativa ou nem chegue.

Outro drama é a inadimplência de clientes. Segundo ele, 30% das vendas dos últimos 90 dias não foram quitadas.

Em Foz do Iguaçu, o proprietário de um posto diz que o valor é o mesmo praticado em abril, mas espera que uma queda maior para reequilibrar as finanças. “O preço é reduzido na refinaria, mas o valor dos impostos não cai, e aí o custo total continua alto. Sem contar o frete. Hoje pago na refinaria R$ 3,78 o litro da gasolina, mais R$ 0,13 de frete, são R$ 3,91 só para o combustível chegar à bomba”, explica o empresário Vinícius Gustavo Biesdorf. Por lá, a gasolina pode ser encontrada por R$ 4,59.

JK

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