Cascavel – A menos de três meses para o que seria a última campanha de imunização contra a febre aftosa no Paraná – as imunizações ocorrem em maio -, o futuro da vacinação no Estado ainda é uma incógnita e tem gerado embates. Isso porque, segundo o secretário de Estado de Agricultura, Norberto Ortigara, existem “forças contrárias” para a antecipação do status de área livre da doença sem vacinação.

O que se achava que poderia ser um caminho sem volta e uma condição pacificada e pretendida por todos, depende agora do convencimento de cerca de 20% dos envolvidos na cadeia, sobretudo criadores das regiões norte e noroeste do Estado, que trazem animais de outros estados e que não consideram ser adequado antecipar o fim da aplicação das vacinas antes de 2023.

É que, assim que essa condição for assumida, as divisas com outros estados passam a ser fechadas para trânsito de animais para cria, recria e engorda.

Em um primeiro cronograma do PNEFA (Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa), o Paraná estava no bloco V e, com isso, só encerraria a aplicação da vacina em 2021, passaria um tempo sob a fiscalização do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), e em 2023 alcançaria o status internacional de área livre sem vacina.

Mas desde 2011 o Estado vem fazendo um trabalho intenso e minucioso para antecipar esse cronograma e no ano passado conseguiu migrar para o bloco I, onde o fim da obrigatoriedade da imunização é maio deste ano.

Segundo Ortigara, essa pequena – mas respeitada – parcela ainda depende de convencimento de que o cronograma original não precisa ser mantido, tendo em vista o preparo no enfrentamento à doença quase 14 anos após o último registro no Estado. “Temos o desejo e a percepção que antecipar o fim da vacinação é uma oportunidade ímpar. Estamos nos preparando intensamente para isso desde 2011. Criamos uma nova agência [a Adapar], contratamos gente, melhoramos a vigilância ativa e passiva, identificamos e resolvemos problemas no campo, fizemos o georreferenciamento do gado, dos frangos, dos suínos, enfim, existe controle sanitário de tudo. Impomos barreiras interestaduais, melhoramos o treinamento dos nossos profissionais… então, em vez de usar a força, que é a aplicação da vacina, queremos usar a inteligência para conquistar mercados com as condições que temos”.

O secretário lembra que grandes investimentos contam com essas condições sanitárias para a abertura de mercados, como os novos frigoríficos em construção para abate de suínos no oeste do Paraná e nos Campos Gerais.

Apesar de a aftosa ser uma doença que se manifesta em bovinos, a cadeia de suínos, e consequentemente toda a pecuária, são atingidas com perda de espaço no mercado internacional por gerar dúvidas sobre as condições sanitárias internas. “Quem chega primeiro bebe água limpa. Antecipar o cronograma, pelas condições que temos atestadas pelo Mapa em duas auditorias, nos permitirá acessar mercados primeiro e que hoje não compram da gente porque mantemos a vacina. Para se ter ideia, o Paraná está fora de 65% do mercado internacional de suínos neste momento”, alerta.

Novos debates regionais

As auditorias realizadas pelo Mapa no Paraná aprovaram, com louvor, as iniciativas sanitárias adotadas com recomendação de dez medidas das quais, segundo o secretário Norberto Ortigara, nove já saíram do papel. A décima deverá ser uma realidade ainda neste mês. Ela se refere à contratação de 18 veterinários e de técnicos agropecuários, processos que já estão em curso.

Na tentativa de ampliar a discussão e ouvir todos os atores, debates deverão ser promovidos ainda neste mês e no início de março, quando se espera que essa definição esteja tomada. “Sabemos que vai dar bate-boca, vai ter discussão, mas faremos um encontro com toda a cadeia produtiva, produtores, frigoríficos, cooperativas, sindicatos rurais… Até março teremos a definição se vamos vacinar em novembro ou não (…) O que é ponto sacramentado no Estado é que todos querem a melhor condição sanitária. A divergência é sobre antecipar o fim da imunização de 2021 para 2019”, completou o secretário.

A campanha em maio

Até então, o setor pecuário paranaense vinha contando que em maio faria a última campanha de vacinação contra a febre aftosa em bovinos e bubalinos de até dois anos de idade. “Temos uma firmeza de propósito e ele é de vacinar pela última vez em maio”, asseverou o secretário Norberto Ortigara.

Após as definições, a indústria será comunicada sobre a fabricação ou não da vacina para o Paraná para a segunda etapa, pois, se a imunização for mantida, as doses precisam ser fabricadas para a campanha de novembro, quando os quase 10 milhões de animais precisam ser vacinados, independente da idade.

Mapa anuncia redução da dose

A vacina contra a febre aftosa terá sua dose reduzida de 5 ml para 2 ml na primeira etapa de vacinação de bovinos e bubalinos, que será realizada a partir de maio na maioria dos estados brasileiros.

No Acre, no Espírito Santo e no Paraná a dose será aplicada apenas em animais de até 24 meses de idade.

A mudança da dose está prevista no PNEFA (Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa), que deverá culminar com a retirada total da vacinação no País prevista até 2021.

A expectativa de Diego Viali dos Santos é de que com a redução da dosagem, ocorram menos reações nos animais (caroços, inchaço). Além disso, com frascos menores, as vacinas ocuparão menos espaço, facilitando o transporte e reduzindo o custo de refrigeração. “Os laboratórios produtores possuem estoque suficiente do novo produto para atender à demanda dos criadores”, afirmou.