Dia 29 de agosto é o Dia Nacional do Combate ao Fumo, data em que são realizadas diversas ações de sensibilização, conscientização e mobilização da população para os malefícios do tabaco. Fumar é hoje o principal fator de risco para o câncer de pulmão, com cerca de 80% das mortes como consequência do tabagismo. Por isso, interromper esse hábito é o melhor caminho.

Mas, como muitos sabem, parar de fumar não é um processo fácil. Micheline Pires, clínica oncológica e nutricionista da Ana Saúde, healthtech e clínica digital especializada em oncologia e atenção primária ao paciente com câncer, dá algumas dicas para quem deseja largar o tabaco e cuidar da sua saúde.

“Antes de mais nada, é preciso querer. As unidades básicas de saúde do seu município trabalham com campanhas para auxiliar neste processo, por isso procure esses centros se você está disposto a parar de fumar”, explica.

Outra orientação é escolher uma data para ser o primeiro dia sem cigarro. Se não conseguir, reduza a quantidade gradativamente.

“Retire os maços de cigarro dos locais onde você está habituado a guardá-los. É normal sentir ansiedade, irritação, dor de cabeça, falta de concentração e muita vontade de fumar! Esses sintomas desaparecem em até duas semanas”, garante a especialista.

Ela lembra que é comum aumento da fome e do peso. “Pratique atividades físicas e consuma líquidos, exceto café e álcool que podem ser um convite ao fumo”.

Uma dica que vale ouro é recompensar o esforço (porque não é fácil!) guardando o dinheiro que gastaria com cigarros.

Esta é importante: “Tenha cuidado com métodos milagrosos para parar de fumar. Muitos deles são tão nocivos quanto o próprio tabaco. Procure orientação médica em qualquer dúvida”.

E, para concluir, Micheline reforça a importância de associar a cessação do tabagismo com mudanças de vida e alimentares mais saudáveis, fazendo refeições de três em três horas, com 5 a 6 refeições/dia, para não entrar na fissura de vontade de consumir alimentos muito calóricos, incluindo e variando alimentos naturais, ricos em vitaminas, minerais e fibras como frutas, legumes, verduras, grãos integrais, carnes e leite e derivados magros. E não esqueça de se hidratar e, para os momentos de fissura, ande com palitinhos de cenoura, aipo ou pepino, balas e chicletes dietéticos. “Mesmo que você não tenha tido sucesso nas tentativas anteriores, não desista de tentar!”

Mitos e verdades sobre o câncer de pulmão

 

Mito

1 – O cigarro eletrônico é menos nocivo que o cigarro tradicional.

O cigarro eletrônico é maléfico para a saúde do pulmão e aumenta as chances do desenvolvimento do câncer. Um estudo desenvolvido pela Universidade de Portland, nos Estado Unidos, constatou que o vapor dos cigarros eletrônicos pode ser 15 vezes mais cancerígeno que o cigarro tradicional, devido a uma substância chamada formaldeído, presente no produto.

 

 

Mito

2 – Fumar narguilé não faz tão mal à saúde.

O uso de tal artifício aumentam as chances do surgimento do câncer. O narguilé utiliza água para resfriar a fumaça e proporciona uma inalação mais profunda. Com isso, as substâncias cancerígenas, como metais pesados e altos níveis de nicotina, penetram nos pulmões com mais facilidade. De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a absorção do cobalto, por exemplo, é maior em uma sessão de narguilé, equivalente a 100 tragadas, em comparação a fumar um único cigarro. A inalação corresponde a 70ng e 0,13ng respectivamente.

 

 

Mito

3 – Só desenvolve câncer de pulmão quem é fumante.

Os fumantes têm maior propensão ao desenvolvimento desse tipo de câncer, perfazendo o total de cerca de 80% dos acometidos pela doença, já que o tabaco é o principal fator de risco. Porém a exposição ao gás radônio e ao amianto, por exemplo, também são fatores que acarretam o desenvolvimento da doença e quem trabalha diretamente exposto a esses componentes devem estar atentos e realizar exames periódicos. O histórico familiar também deve ser observado.

 

 

Verdade

4 – Fumante passivo pode ter câncer de pulmão.

A exposição ao tabagismo, mesmo sendo passiva, aumenta os riscos do surgimento da doença. A inalação da fumaça é um fator de risco. Por isso é importante estar alertas também às crianças, que podem ser fumantes passivos por conviverem com adultos tabagistas.

 

 

Verdade

5 – Abandonar o hábito de fumar depois de muitos anos, auxilia no não desenvolvimento do câncer.

Nunca é tarde para largar hábitos nocivos à saúde. Por mais que a pessoa tenha fumado por muitos anos, o fato de ela interromper o uso impacta de forma positiva na saúde e na qualidade de vida. Segundo especialistas do Comitê Científico do LAL, na terceira semana sem consumir tabaco é possível observar a melhora da respiração e da qualidade do sono. Depois de dez anos sem fumar, o risco de infarto é equivalente ao de uma pessoa que nunca fumou.

 

 

Verdade

6 – Câncer de pulmão tem cura.

A detecção precoce, aliada a um tratamento adequado, aumenta as chances de cura. Uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer no Estados Unidos revela que 55,2% dos pacientes que obtiveram um diagnóstico da doença ainda localizada alcançam uma sobrevida de 5 anos ou mais. Com a radiografia do tórax, um exame simples, é possível detectar a presença do tumor e combater seu desenvolvimento. Para isso, é imprescindível a ida frequente ao médico e o check-up anual.

 

 

Verdade

7 – Poluição atmosférica também é um fator de risco.

O contato com a poluição pode aumentar a incidência do câncer de pulmão. O despejo de gás carbônico emitido pelas chaminés das indústrias, assim como outros gases, também é prejudicial.