Fornecimento de energia: Mapeamento inédito lista problemas graves

Levantamento também avaliou condições de granjas e chiqueirões receberem placas fotovoltaicas

Reportagem: Juliet manfrin

Foz do Iguaçu – A Câmara Técnica de Energia Elétrica do POD (Programa Oeste em Desenvolvimento) acaba de finalizar um mapeamento inédito no Paraná sobre as debilidades no setor energético nos 54 municípios atendidos pela entidade, sendo 50 deles no oeste. Foi um ano de trabalho intenso.

A região é a primeira do Estado a concluir a apuração que servirá de modelo para todos os cantos do Paraná.

Segundo o presidente do POD, Danilo Vendruscullo, as informações do oeste já estão com o Estado e com a presidência da Copel. A expectativa é para que até o fim do ano os levantamentos estejam concluídos em todo o Estado e a partir deles sejam listadas as prioridades para investimentos de modernização do sistema de fornecimento e distribuição, focado principalmente na ampliação e na construção de redes trifásicas de distribuição de energia.

As quedas constantes e os picos diurnos são problemas antigos, sobretudo no oeste e no sudoeste, causando inclusive a mortandade de animais como pintainhos e peixes, além de prejuízos significativos nas indústrias.

Promessa

Em abril passado o governador Carlos Massa Ratinho Junior afirmou, durante visita à região, que em poucos meses os investimentos pesados no segmento teriam início. Contudo, o setor produtivo afirma que pouco saiu do papel até o momento. Ratinho disse que seriam investidos R$ 1,8 bilhão, de modo que os maiores problemas estariam perto do fim ainda em 2019.

Segundo Danilo, esses investimentos deverão ficar para 2020 e vão ocorrer partir da definição das prioridades apresentadas nesses mapeamentos regionais. “Mas sabemos que o oeste é no onde está um dos maiores problemas, tanto no campo, quanto na cidade e nas indústrias. Eles afetam os 54 municípios mapeados, isso ficou muito claro no levantamento”, reforçou.

Defasagem

A região oeste ainda conta com a maior parte de redes no sistema monofásico, não suportando a sobrecarga de consumo e levando a quedas constantes.

Porém, outro dado chama bastante a atenção. Observou-se que apagões constantes, que duravam mais do que um dia, vinham sendo registrados apenas por falta de manutenção, como as podas de árvores, com galhos que as tocavam provocando curto-circuito.

“Agora, as podas estão sendo feitas periodicamente e as quedas por esse tipo de situação praticamente se resolveram na região. Já no sudoeste, por exemplo, isso quase não vinha sendo registrado, a empresa terceirizada de lá fazia as podas e a manutenção com regularidade, tanto é que vez ou outra vinham para o oeste ajudar no serviço. Agora isso se normalizou por aqui também”, acrescenta Vendruscullo.


Placas fotovoltaicas em aviários e chiqueirões

Outro ponto apurado pelo mapeamento do setor energético na região oeste avaliou as condições técnicas em milhares de estruturas de granjas de aves e suínos para implantação de placas fotovoltaicas nos telhados. “A ideia é estimular essa forma de geração de energia limpa e que pode auxiliar, tanto na diminuição dos gastos com energia elétrica quanto resolver eventuais quedas no fornecimento”, explica Danilo Vendruscullo.

Segundo o presidente do POD, a maioria das propriedades tem capacidade para instalação das placas, mas agora o debate passa a ser outro. O POD vai até o governo do Estado, mais uma vez, pedir a ampliação da isenção do ICMS sobre a geração de energia limpa e renovável. A proposta sancionada pela ex-governadora Cida Borghetti no ano passado prevê quatro anos de isenção, mas o setor produtivo afirma ser tempo insuficiente para pagar os investimentos. “Quatro anos é um período inviável, por isso temos pedido ao menos dez anos de isenção para que os investimentos se paguem”, completou.

Contudo, Vendruscullo está otimista: “O Estado e a Copel estão muito sensíveis e com um diálogo muito aberto com o POD em todos esses aspectos, isso ocorre pela primeira vez”.

Câmara Técnica

Apesar de o mapeamento ter sido feito no setor energético pela Câmara Técnica, suas atividades não estavam sendo periódicas. Danilo afirma que a Câmara será totalmente reativada com uma importante participação: a da Itaipu Bionacional, que deverá auxiliar na coordenação dos trabalhos.

Todos esses assuntos serão tratados pelo POD em uma nova reunião, que será realizada até o início de dezembro.

 

 

 



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