Diante de um pedido de vistas do projeto de extinção do cargo de zeladores, o secretário de Planejamento e Gestão, Edson Zorek, admite a possibilidade de retirar a proposta da Câmara de Vereadores. Com isso, restaria à prefeitura a abertura de concurso público para repor o quadro atual, que está deficitário após a falência de terceirizada que empregava 200 trabalhadores que atuavam nos Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil). “Com isso, teremos que retirar os benefícios que acordamos em repassar à categoria. É importante salientar que não é retaliação: se tivermos que chamar por concurso, não teremos caixa para pagar os benefícios”, explica Zorek.

O problema é o tempo: teria que ser publicado edital de concurso, aplicação de provas e prazos de convocação. Por meio da terceirização, a prefeitura mantém o quadro com 1,2 mil servidores, repassaria abono salarial de R$ 170 a partir da data-base (ainda em negociação) e o salário passaria de R$ 964,69 para R$ 1.030,10. Isso tudo acordado em reunião no último domingo. O Município garantiu que não irá transferir as servidoras de unidades.

Contudo, diante da forte pressão das zeladoras que lotaram o plenário ontem, os vereadores aprovaram pedido de vistas do projeto pelo vereador Paulo Porto (PCdoB).

A terceirização “estancaria” impacto imediato na folha. “Vamos fazer novas rodadas de negociação para tomar uma decisão: com vereadores, sindicato e zeladoras”, diz Zorek.

Sem interesse

Neste ano, a posse de novas zeladoras é extremamente baixa: 74% das convocadas para assumir a vaga não tiveram interesse. Foram chamadas 438 aprovadas e apenas 112 assumiram.

Ontem uma reunião emergencial foi realizada entre os secretários Márcia Baldini (Educação) e Edson Zorek. A preocupação é com os Cmeis, que desde agosto estão com quadro insuficiente de zeladores. Como medida paliativa, a Educação divulga hoje o chamamento de mais 28 aprovadas – que assumirão em 22 de novembro.

Aulas interrompidas

Um levantamento será feito a partir desta quarta-feira para verificar as turmas que terão o atendimento interrompido até a normalização do quadro. “Tentamos fazer o máximo possível para resolver os problemas – desde agosto estamos avaliando todas as alternativas. Esse chamamento de amanhã [hoje] será a última cartada. Estamos com servidores doentes, uma teve até AVC [Acidente Vascular Cerebral], sabemos da sobrecarga”, afirma a secretária.

Segundo ela, não tem como manter as crianças nos Cmeis sem equipe de limpeza.

Se houver consenso entre categoria e prefeitura, o projeto será mantido em plenário e volta para a pauta de segunda-feira.

Reportagem: Josimar Bagatoli