O que já era esperado se confirmou e a balança comercial do oeste do Paraná teve em 2018 o seu melhor desempenho da história, com saldo recorde de quase US$ 1,2 bilhão.

Os números divulgados ontem pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços) reforçam que o melhor ano da série foi impulsionado por alguns fatores. Para a economista Regina Martins, o dólar mais valorizado perante real durante boa parte do ano foi extremamente positivo para as vendas externas, além da característica do produto mais comercializado, as carnes, que possuem valor agregado. “É muito mais vantajoso vender uma tonelada de carne do que uma tonelada de soja. O processamento agrega valor e, portanto, garante divisas”, exemplifica.

Consideradas as sete principais economias exportadoras da região que juntas respondem por 95% das exportações a soma do ano passado foi de US$ 1,65 bilhão. Em 2017, que era o melhor ano para as transações internacionais, foram exportados US$ 1,407 bilhão, elevação de 17%.

Para o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, outro aspecto que precisa ser levado em consideração no oeste é que esse aumento expressivo nas transações comerciais também esteve pautado em um mercado interno com um poder compra menor, ainda sob os efeitos da crise, fazendo com que mais produtos fossem para fora do País.

Como as indústrias mantiveram a produção, e houve conquista de mercados, esse pode ser considerado o fator preponderante no desempenho das exportações. Para Dilvo, essas condições de venda deverão ser potencializadas a partir de agora. “Não devemos falar em fechamento de mercados, mas de expansão, fugir do viés ideológico e exportar para quem deseja comprar. O agronegócio tem tudo para viver um ano melhor, mas as mudanças na economia só deverão ser sentidas em dois anos. Não adianta esperarmos nada para logo, tudo é um processo que precisa ser construído”.

 

Importações

Já as importações mantiveram a queda que vinha sendo observada no decorrer do ano. No acumulado de 2018, foram importados 6% a menos que 2017: baixaram de US$ 504,8 milhões para US$ 476,4 milhões.

Com isso, o saldo da balança do oeste foi recorde, chegando a US$ 1,168 bilhão, elevação de impressionantes 30%, diante dos US$ 902,5 milhões registrados em 2017. “Mas nem por isso devemos considerar que as empresas tiveram uma rentabilidade maior, muito pelo contrário, 2018 foi um ano de se trabalhar com margens bastante espremidas e entre os fatores estiveram o cumprimento da tabela do frete, por exemplo”, alerta Dilvo Grolli, ao destacar que aspectos como esse tiram competitividade da indústria, sobretudo das que ficam mais distantes dos seus destinos ou, no caso da região, do Porto de Paranaguá, para escoamento das exportações.

 

 

Cascavel mantém liderança

Cascavel foi o município da região com maior volume financeiro de vendas externas com exportações, somando US$ 364 milhões, seguido por Cafelândia (US$ 339,3 milhões) e Palotina (US$ 334,2 milhões).

O agronegócio foi, mais uma vez, o responsável pelos bons números. Somente as carnes de frango responderam por mais de 70% das exportações, seguidas pelo complexo soja.

Toledo teve o maior crescimento do período. O Município, que exportou US$ 78,3 milhões em 2017 e que até metade deste ano não havia comercializado praticamente nada para fora do Brasil, fechou 2018 com US$ 228,5 milhões em transações externas (crescimento de 191%) – liderados pelos produtos químicos orgânicos que somaram US$ 58,7 milhões em vendas, seguidos pelos cereais com outros US$ 38 milhões.