A apatia e a insensibilidade emocional, o desleixo interior e a indiferença. Tudo isso são características do que se apresentam dentro das reações psicológicas que podem ocorrer com indivíduos que estiveram ou estão reclusos, como prisões, quarentenas forçadas e até mesmo em campos de concentração.

Estes últimos, estudamos sobre os que presenciaram, contudo é fato que ainda existem em regimes totalitários ao redor do mundo.

Vários comportamentos surgem quando a apatia adere no interior do ser humano. A ausência de sensibilidade constitui uma couraça sumamente necessária da qual se reveste em tempo a alma de quem está preso.

Nos campos de concentração que marcaram a história de horror da Segunda Guerra, um espancamento por razões mais insignificantes, ou sem razão alguma, era corriqueiro como um passar de mãos nos cabelos sob um forte vento.

Viktor Frankl cita em seu livro “Em busca de sentido” que, certo dia, eles foram colocados em fila para marcharem até seu local de trabalho, na construção de linha férrea. Quando, em várias ocasiões, presenciou que, se qualquer prisioneiro durante a marcha ficasse fora de alinhamento, era espancado seguidamente. Mesmo marchando em terrenos totalmente desnivelados, o que, aos nossos olhos, prática quase impossível de ser feita em perfeito alinhamento.

Ainda em seu livro, Frankl descreveu que, logo nos seus primeiros dias, recebeu um conselho que lhe ajudaria a ficar vivo por mais tempo do que muitos outros que lá estavam: que ele deveria fazer a barba todos os dias, do jeito que podia, com um caco de vidro se fosse preciso. Mesmo que fosse preciso sacrificar o último pedaço de pão para que alguém fizesse sua barba. Dessa forma, Viktor iria parecer mais jovem, mantendo o rosto mais rosado. Isso lhe garantiria mais trabalho, mais tarefas. Em vez de fornos e fios.

Essa literatura me provocou curiosidade e, em poucas páginas à frente, pude tomar conhecimento sobre o que ocorria com os prisioneiros que aparentavam ou estavam doentes, com deficiências físicas ou alguma sequela qualquer.

Pela obra de Viktor, naquela época, naquele sofrimento, eu seria escolhido, seria direcionado sem qualquer discussão, sem qualquer movimento de humanidade a caminhar direto ao forno ou à câmara de gás. Nosso sobrevivente relata que todo e qualquer indivíduo que lá estava e que apresentasse alguma limitação de movimento ou dificuldades de locomoção seria imediatamente selecionado.

Quantos também seriam selecionados comigo?

Ao longo da minha jornada, houve algumas cirurgias, que resultaram em poucas, mas importantes limitações de movimento. Contudo, eu tenho a felicidade de obter o conhecimento direto da fonte, que escreveu seu ensinamento há algumas centenas de anos e disse ao meu coração: “Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança”. “Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”, Gênesis, 1:26.

Somos perfeitos!


Juliano Gazola é fundador da Bioliderança® no Brasil, business executive coach, reprogramador biológico

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