STILLS_DIVULGACAO_1.27.2.jpgSÃO PAULO ? O sobrado no bairro da Vila Mariana, região Centro-Sul de São Paulo, abriga dois cenários de ?A lei?, nova série policial brasileira do canal Space, com estreia prevista para o início de 2017. Um deles é a sede de uma emissora de Belém. A outra, uma delegacia de polícia, também da capital paraense. Neste último ambiente, Guilherme Fontes e Adriano Garib estão frente a frente para gravar uma sequência sob a direção de Tomás Portella. Fontes, de volta à TV depois de quase dois anos (seu último papel foi na novela ?Boogie oogie?), faz o papel de Silas Campello, um âncora de programa sensacionalista. Garib interpreta o irmão dele, Edinho, policial inescrupuloso que ?vaza? ao apresentador dicas de ações supostamente sigilosas.

? Esse tipo de situação é bem recorrente no Brasil. Estamos todos gritando contra a corrupção, mas todo mundo tem carteirinha de estudante falsa, todo mundo sonega imposto e todo mundo vai pra (avenida) Paulista gritar contra a roubalheira. Tem um universo dentro da série que trata a corrupção sem nenhum questionamento moral. Isso é muito interessante ? observou Portella, que divide a direção com o uruguaio Adrián Caetano.

PROJETOS APÓS O IMBROGLIO ?CHATÔ?

Com dez episódios de 46 minutos cada, ?A lei? acompanha a ascensão meteórica de Silas e sua transformação de repórter policial em candidato a um cargo público. Outros personagens são os detetives Roberto Moreira e Soares, interpretados respectivamente por Ravel Cabral e André Ramiro. Eles investigam o sumiço de diversas garotas, que os leva ao apresentador e a seu irmão. O elenco traz ainda Fulvio Stefanini, Mel Lisboa, Paulo Miklos e Jonathan Haagensen.

Fontes e Portella buscaram referências de cenário e gestual em programas de apresentadores contemporâneos, como Marcelo Rezende (Record) e José Luiz Datena (Band) ? este último chegou a anunciar sua candidatura à prefeitura de São Paulo, para desistir em seguida. Mas o ator diz que buscou inspiração de um personagem ?de outra época?:

? São figuras comuns na nossa sociedade, mas nunca me imaginei fazendo um personagem assim. É impressionante como eles têm poder sobre o público. Para fazer o palhaço de ?Chatô?, me inspirei em Chacrinha e Silvio Santos, mas aqui me lembrei de Flávio Cavalcanti, muito popular nos anos 1960 e 1970 ? disse o ator.

Aliviado desde que o Tribunal de Contas da União (TCU) aceitou rever recurso contra ?Chatô?, o que pode livrá-lo de devolver aos cofres públicos cerca de R$ 50 milhões (em valores corrigidos), Fontes tem planos de investir mais em TV e cinema, como diretor e ator. Um dos projetos é um seriado sobre a ação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) e o outro, um filme sobre uma religião que aparece em um cenário pós-apocalíptico, em 2083.

? Esse pesadelo todo, de me chamarem de aproveitador, acabou. Espero que agora me usem como exemplo de como fazer as coisas direito ? desabafou Fontes, com tom de página virada.