Em investigação – Criança que morreu em UPA pode ser vítima de H1N1

Cascavel – A morte de uma criança de apenas 3 anos na manhã de ontem (16) na UPA Veneza, em Cascavel, já está sendo investigada pela 10ª Regional de Saúde a partir da Vigilância Epidemiológica. Segundo o diretor da Regional, João Gabriel Avanci, a investigação leva em conta alguns procedimentos, entre eles os resultados dos exames laboratoriais que deverão confirmar, ou descartar, o óbito por H1N1, conforme há suspeita.

Se for confirmado, este será o primeiro caso de influenza nos 25 municípios da Regional neste ano e que lamentavelmente evoluiu para a morte. Em todo o Paraná, os óbitos em decorrência de algum subtipo da gripe já somavam quatro no início deste mês, com 11 confirmações da doença.

Ainda de acordo com o diretor da 10ª Regional, essas investigações não são atípicas e ocorrem todas as vezes que há, na linguagem médica, uma diagnosticação compulsória, ou seja, um óbito por alguma doença como dengue, zika, chikungunya ou gripe. Serão verificadas as questões clínicas, os exames laboratoriais que serão concluídos em cerca de 15 dias e se houve negligência no atendimento à criança. “Ao que me parece não foi esse o caso… parece-me que a criança infelizmente teve um quadro que se agravou e lamentavelmente veio a óbito”, destacou o diretor da Regional.

Em entrevista ao portal CGN, o pai da criança disse acreditar em negligência tendo em vista que levou a filha para consulta ainda no sábado, mas que a médica dissera que era apenas uma virose e receitou antitérmico e remédio para dor. Conforme o pai, a criança passou o fim de semana mal, não se alimentou e na madrugada de ontem piorou muito. Foi levada para a UPA por volta das 2h e faleceu por volta das 6h. Segundo lhe falaram, apenas um pulmão estava funcionando em decorrência de uma pneumonia.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Cascavel confirmou que foram coletados materiais para análise e enviados para o Lacen (Laboratório Central), da Secretaria de Estado da Saúde, que poderá confirmar a causa da morte. “A criança foi encaminhada à unidade ainda na madrugada com quadro crítico, sendo prontamente atendida pelos profissionais do plantão. Entretanto, por volta das 6h, apesar de apresentar sensível melhora no quadro, chegou a óbito, mesmo diante de todo esforço da equipe. A Secretaria de Saúde reforça que é necessário aguardar o resultado dos exames, mas não descarta hipóteses como dengue ou H1N1”.

Prevenção

A Secretaria de Saúde de Cascavel foi questionada se vai adotar protocolo de gripe a partir de agora, se ocorrerá a apuração sobre possível negligência médica e se será apurada a conduta da médica que atendeu a criança no último sábado, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

Já o diretor da 10ª Regional da Saúde destacou que a Vigilância Epidemiológica do Estado atua em parceria com o Município, a quem “cabe o interesse de levantar todos os fatos para possíveis mudanças na atuação”.

Baixa procura pela vacina

Segue até este fim de semana a primeira etapa da campanha de vacinação contra a gripe para gestantes, puérperas e crianças de até seis anos. A partir do dia 22, a campanha terá o público-alvo estendido.

Para o chefe da 10ª Regional, João Gabriel Avanci, o sistema está bem articulado, com abastecimento das vacinas e divulgação, mas alerta que a população precisa se conscientizar e buscar a imunização. “Acreditamos em uma cobertura vacinal maior que a do ano passado porque os setores da saúde estão bem alinhados, desenvolvem um bom trabalho, mas a população precisa fazer sua parte, não deixar para a última hora. Geralmente, a menor cobertura é entre mulheres grávidas e crianças e é justamente para esse público que se optou por iniciar a campanha para estimular a imunização”, destacou.

Ao restante da população, que só será imunizada mais tarde ou que não é coberta pela campanha, a recomendação é redobrar os cuidados. Manter ambientes arejados, lavar bem as mãos, utilizar álcool em gel e não compartilhar objetos com pessoas suspeitas da doença. Essas recomendações já foram redobradas aos familiares da criança que morreu ontem com o pedido para que observem seu comportamento clínico e, em qualquer sintoma, buscar atendimento imediatamente em uma unidade de saúde. “Não acredito que tenhamos condições para um surto ou uma epidemia da doença neste ano, mas para isso os bons hábitos precisam ser mantidos. Manter a higiene, ventilação e tomar vacina no caso daqueles que são cobertos pela campanha”, destacou o diretor da Regional.

 

Reportagem: Juliet Manfrin



Fale com a Redação

15 + dezessete =