Há meses, líderes que representam os mais diferentes setores produtivos do Paraná chamam atenção para um tema dos mais urgentes aos interesses do Estado. Eles apresentam argumentos sobre os prejuízos que a proposta do Ministério de Infraestrutura, sobre o novo modelo de concessão de rodovias, poderá trazer à competitividade dos produtos agropecuários paranaenses. “Caso o que pontuamos seja ignorado, o custo somente para a agropecuária será de 4% do Valor Bruto da Produção, estimado em R$ 140,9 bilhões em 2021”, informa o presidente da Coopavel e integrante do POD (Programa Oeste em Desenvolvimento), Dilvo Grolli.

A informação foi dada por Dilvo na tarde de sexta-feira (19), durante nova rodada de diálogos sobre a futura concessão entre representantes de entidades empresariais e de produtores rurais e diretores e técnicos do Ministério de Infraestrutura. O líder agropecuarista disse que a previsão de receita do novo modelo é de R$ 156 bilhões inicialmente em 30 anos o valor poderá ser de mais de R$ 300 bilhões. “O custo, de 4% do VBP por ano, é incompatível com a receita e as margens dos produtores rurais”, conforme Dilvo. A agropecuária e os agricultores do Oeste do Paraná tiveram um custo elevado nos últimos 24 anos. Sem a estrutura de transporte correta e necessária, as perdas anuais de hoje ultrapassam os R$ 300 milhões.

Sem outorga

Durante sua exposição, Dilvo Grolli reforçou aspectos considerados fundamentais ao setor primário. “Somos contra a outorga onerosa, porque limita o desconto máximo na tarifa em 17%. E temos exemplos, de outros estados, com descontos acima dos 50%. O degrau tarifário, que seria praticado para custear obras de duplicação, chegaria a 40%, outro ponto fortemente combatido”. “Queremos tarifa pelo menor preço. Não estamos buscando benefícios ou privilégios, apenas o direito de sermos tratados como os outros estados da Federação”.

Competitividade

O Oeste e o Paraná tem parcela considerável de seu PIB formada por commodities. “Produzimos grãos e carnes, que têm pouco valor agregado. Somos competentes da porteira para dentro, mas perdemos em logística quando transportamos nossa produção para os mercados interno e externo. O elevado custo do pedágio tira a nossa competitividade”. O modelo proposto pelo Ministério de Infraestrutura aumenta de 2,8 mil para 3.327 quilômetros o trecho de concessão e as praças de cobrança saltam de 15 para 42. “O Governo do Paraná, em atenção aos clamores da sociedade, aceitou e entendeu as nossas sugestões, principalmente quanto à não aplicação da outorga onerosa”.

A previsão inicial de arrecadação é de R$ 156 bilhões, com aplicação de apenas R$ 42 bilhões em obras. E o restante, R$ 114 bilhões, para onde vai essa montanha de dinheiro?, questiona Dilvo Grolli. “Pagamos, de 1997 a 2021, um dos pedágios mais caros do mundo e não podemos mais cair nos mesmos erros que nos levaram a uma situação tão dramática”, afirma ele.

A Comissão da Agricultura do Senado deseja debater o assunto e já se demonstra preocupada com a intervenção e os riscos que o pedágio representa ao agronegócio brasileiro. A CNBB se manifestou recentemente e falou de sua preocupação quanto aos impactos do novo modelo às comunidades e à economia nacional.