Por Paulo Alexandre

 

A educadora e coordenadora pedagógica Clélia Seara escreveu em artigo recente que, até um tempo atrás se di­zia que ensinar era a arte de transmitir conheci­mento e de instruir e que educar era o processo de desenvol­vimento integral do indivíduo, de mostrar ou apontar caminhos. À educação cabe formar o caráter, refinar sentimentos e comportamentos e sedimentar valores. Educar é mais abran­gente que ensinar, pois acontece em qualquer lugar, prescinde de currículo ou forma­ção específica. Dá-se pelo exemplo. Existem pessoas instruídas e sem educação e ou­tras educadas e sem instrução. A função da escola até então era somente instruir, en­sinar, informar e a da família era transmitir valores, regras sociais e de comportamento e definir limites. Com as mudanças de paradigma esses conceitos so­freram alterações e, com isso, escola e família tornam-se inse­guras em suas funções. Também alerta que pais não podem ficar reféns de filhos. Educar dá trabalho e exige esforço. Nesse contexto, escola, pais e filhos estão no “olho do furacão” da educação. A saída é união e parceria. Escola e família devem ser parceiras, se completarem, e não se colocarem como adversárias.

Com esta pano de fundo, esta edição do O Paraná apresenta, mais uma vez, a polêmica do “Homeschooling” ou “Ensino Domiciliar”, pelo qual a família se torna responsável pela “transmissão do conhecimento”. Com esse modelo, português, matemática, geografia, história, biologia e outras disciplinas passam a ser ministradas fora do ambiente escolar, em casa.

A prática, como relata e defende o deputado estadual Marcio Pacheco, já vem sendo difundida e praticada em todo o Brasil, incluindo Cascavel de forma significativa neste cenário. O leitor vai poder conferir a motivação de deputado que acredita que a decisão tomada pela Assembleia Legislativa do Paraná, também aprovada e sancionada pelo governador Ratinho Junior, não sofrerá um revés com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) já anunciada pelo deputado estadual e Líder da Oposição no parlamento estadual, Professor Lemos.

O debate está posto e deve render ainda muita discussão e divergência. Contudo, todos devem ter em comum a consciência do dever de preparar crianças, jovens e adolescentes, não apenas para o futuro, mas também para lidar com as mudanças do presente. As sementes lançadas hoje terão reflexos imediatos e, talvez irremediáveis, em um futuro não distante quanto se imagina. Ensinar e educar de forma consistente e correta é prioridade, hoje e sempre!