Toledo – O tripé composto pelos itens econômico, político e insegurança jurídica é, na visão do especialista de mercado Neoroci Frizzo, o grande influenciador na desvalorização do real perante o dólar, condição que se acentuou nesta semana com a moeda norte-americana rompendo a casa dos R$ 4, o que não acontecia desde fevereiro de 2016.

Segundo o economista, fatores externos também contribuem, como os problemas no cenário internacional intensificados pela crise na Turquia.

Com ampla experiência no mercado econômico, Frizzo, que se dedica às operações na bolsa de valores, avalia que o dólar poderá chegar a R$ 4,50 e rapidinho, antes ainda das eleições, dia 7 de outubro. “O preço em que o dólar está é especulação e acredito que ele possa chegar aos R$ 4,50 por pura especulação também. Todas as vezes que sair uma pesquisa eleitoral e alguém da esquerda estiver na frente, o mercado vai reagir dessa forma”, reforçou, referindo-se aos recentes levantamentos que trazem o ex-presidente preso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) liderando as intenções de voto.

Para o economista de Toledo, o valor ideal do dólar, para um equilíbrio de mercado, seria de R$ 3,80. “Aí quem exporta e quem importa ganham. Existem previsões de especialistas de que o dólar possa fechar o ano na casa dos R$ 3,70, então depois da eleição deve haver um rearranjo do mercado”, antecipa.

Ocorre que esse rearranjo está também casado à ideia de quem será o novo presidente. “Todo o mundo [no mercado financeiro] tem medo de governo de esquerda que não está falando [na campanha eleitoral] em redução de despesas, nem de liquidar o déficit público, muito menos das reformas que precisam ser feitas, como a tributária e a da Previdência, pois é isso que vai dar equilíbrio financeiro ao País”, seguiu o especialista.

No mercado externo, da balança comercial, por exemplo, os reflexos são imediatos, tanto para quem vende quanto para quem compra. “Para quem vende o momento é bom com o dólar mais alto, como commodities e proteína animal, mas para quem compra, como os insumos da agricultura, os quais boa parte vem de fora, os produtores também estão pagando mais. O que precisaria era de um ponto de equilíbrio”, avalia.

Preços ao consumidor

Para o consumidor final a regra é lógica: os preços no mercado interno tendem a aumentar também. “Os combustíveis, sobretudo a gasolina, que é cotada em dólares. Com o aumento dos preços dos produtos há o risco de a inflação aumentar novamente”, destaca Neoroci Frizzo, ao reforçar que também deverá crescer a especulação sobre a moeda brasileira e a queda na bolsa de valores também é dada como certa.

Questionado se há um risco de o valor do dólar fugir do controle e ameaçar a economia de forma mais preocupante, o economista reforça que o Brasil tem uma reserva cambial de US$ 380 bilhões que pode ser usada para injetar a moeda no mercado e estimular sua desvalorização, mas que não é aconselhável “queimar cartuchos” e gastar esse dinheiro com medidas como essa e ficar descapitalizado. “Nosso maior problema hoje é político e isso tende a se resolver após as eleições. Se conseguirmos equilibrar as nossas contas públicas, reduzir o déficit em médio prazo em pelo menos um ou 1,5 ponto percentual, em dois ou três anos voltaremos a registrar um crescimento como os observados nos anos de 2004, 2005 2008 e 2009”, estima.