Já imaginou tratar oito pneumonias logo no primeiro ano de vida? Esse é o caso do João Vitor Silveira Ribeiro de 15 anos e que foi diagnosticado com imunodeficiência primária. “Ainda bebê ele começou a apresentar sinais de que algo não estava normal, como infecções recorrentes, pneumonias e uma reação alérgica muito forte ao tratamento da catapora” conta Francieli Silveira Ribeiro, mãe do adolescente. O diagnóstico veio aos 9 anos, depois que João Vitor realizou vários exames para investigar o motivo de tantas infecções de repetição. “A partir do momento que ele recebeu o diagnóstico da imunodeficiência e começou a fazer o tratamento adequado, ele respondeu muito bem e a vida da nossa família mudou”, completa Francieli.

Na Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias, celebrado de 22 a 29 de abril, o Hospital Pequeno Príncipe, referência no atendimento e tratamento de crianças e adolescentes com algum tipo de Erro Inato da Imunidade, reforça a importância do diagnóstico precoce para uma melhor qualidade de vida desses pacientes. “As pessoas já nascem com essas doenças genéticas, mas elas podem se manifestar em diferentes idades. Pode ser nos primeiros dias de vida, aos 6 meses de idade ou até mesmo aos 20 ou 30 anos. Quanto antes fizermos o diagnóstico e iniciarmos o tratamento adequado, menores serão as sequelas e melhor será a qualidade de vida dessa criança” explica a imunologista do Pequeno Príncipe, Carolina Prando.

As imunodeficiências primárias, também conhecidas como erros inatos da imunidade, afetam mais de 6 milhões de pessoas por ano no mundo e é estimado que, deste total, 170 mil casos estejam no Brasil.  De origem genética e com 400 tipos já identificados, elas são um grupo de doenças congênitas que podem se apresentar de forma bem diferente umas das outras, e apresentam em comum o fato de afetarem o funcionamento do sistema imunológico.

Existem vários desafios para o diagnóstico das imunodeficiências primárias, como a falta de informações sobre o que são os erros inatos da imunidade e a dificuldade no acesso a exames mais complexos. “A Semana Mundial tem um papel muito importante nisso, que é disseminar o conhecimento e fazer com que o máximo de pessoas saibam mais sobre erros inatos da imunidade e fiquem atentos aos sintomas”, finaliza a imunologista.

É importante estar atento para alguns sintomas que podem indicar uma imunodeficiência e, se a criança apresentar mais de dois destes sinais, os pais devem procurar por um pediatra ou um serviço de saúde:

  • Quatro ou mais otites (infecções de ouvido) em um ano.
  • Duas ou mais sinusites em um ano.
  • Dois ou mais meses com antibiótico com pouco efeito.
  • Duas ou mais pneumonias em um ano.
  • Atraso no crescimento ou ganho de peso.
  • Abcessos de repetição de pele ou órgãos.
  • Estomatites de repetição ou sapinho na boca por mais de dois meses.
  • Necessidade de antibiótico intravenoso para tratar infecções.
  • Duas ou mais infecções graves, incluindo septicemia.
  • Histórico de infecções de repetição ou diagnóstico de IDP na família.

Referência

O Hospital Pequeno Príncipe engloba a pesquisa, o ensino e a assistência para aprofundar os conhecimentos na área. Uma das formas que a instituição encontrou para diagnosticar os erros inatos da imunidade é pela triagem neonatal. O serviço, assim como todo o Hospital, recebe pacientes de todas as regiões do país.

O maior hospital pediátrico do Brasil é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que oferece assistência hospitalar há mais de 100 anos para crianças e adolescentes. Possibilita desde consultas até tratamentos complexos, como transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea. Oferece atendimento em 32 especialidades, com equipes multiprofissionais especializadas. Com 384 leitos, sendo 68 em UTIs e 10 destinado ao Serviço de Transplante de Medula Óssea, destina cerca de 70% da sua capacidade de atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). É o maior hospital pediátrico em média e alta complexidade do Brasil.