Com a chegada do verão e o aumento das chuvas, o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, do zika vírus, da febre chikungunya e da febre amarela, encontra espaço para reprodução e ataque. Estima-se que apenas 20% das pessoas infectadas por zika e dengue manifestam os sintomas.

Com a chikungunya, essa proporção se inverte e 80% tem manifestações da doença, quase sempre com dores articulares intensas que podem permanecer por mais de seis meses. Os dados são de uma pesquisa desenvolvida pela Unirio, UFRJ e Fiocruz.

No caso da zica, por exemplo, já são pelo menos 14 estados brasileiros atingidos. Outro ponto preocupante é o fato de a doença ter se espalhado pela América Latina de maneira rápida e alarmante. Não há vacina para a prevenção do zika e da chikungunya, então, a saída é a mesma de sempre: combater o mosquito. As duas principais formas são acabar com os focos do mosquito (locais de água parada) e usar repelente para evitar a picada do inseto.

Vacinas

Já no caso da febre amarela, mais de 4 mil municípios são considerados áreas com recomendação de imunização, ou seja, mais de 70% do País.

A vacina contra a febre amarela é ofertada gratuitamente nos postos e apenas uma dose é suficiente para a proteção por toda a vida. No caso da dengue, a vacina é recomendada para algumas áreas e situações específicas.

Como se prevenir

Para ajudar na prevenção, o médico cooperado da Unimed Curitiba especialista em infectologia Jaime Rocha listou algumas dicas de como se prevenir da febre amarela, dengue, zika e chikungunya.

Elimine os focos de água parada

Segundo as autoridades brasileiras, a principal forma de prevenir as doenças é combater o mosquito que transmite o vírus. Para isso, é necessário eliminar todos os possíveis focos de reprodução do Aedes aegypti. O mínimo de água pode virar um foco da doença, já que mosquito dela para colocar seus ovos. Isso inclui vasos de plantas, poças de água da chuva no quintal ou na calçada e privadas sem tampa. Também é importante manter a limpeza das calhas em dia e cobrir os reservatórios de água e piscinas.

Use repelente

Para evitar ser picado pelo mosquito, a melhor estratégia é passar repelente em todas as partes expostas do corpo. Segundo recomendação do O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) o ideal é usar repelentes à base de n,n-Dietil-meta-toluamida (DEET) ou icaridina. A orientação é que se aplique o repelente regularmente. Vale lembrar que o filtro solar deve ser aplicado antes do repelente para não mascarar os efeitos preventivos.

Prefira roupas claras e compridas

O ideal é usar roupas claras e que deixem poucas partes do corpo expostas. Calças e camisetas de manga comprida podem evitar as picadas.

Crie uma casa "à prova de mosquito"

Especialistas recomendam criar uma casa “à prova de mosquitos” com o simples hábito de dormir atrás de "barreiras físicas", como portas fechadas, janelas vedadas e telas de mosquito.

Durante a noite, um mosquiteiro também pode ser uma proteção extra. Porém, não se pode esquecer que o Aedes aegypti costuma agir mais durante o dia, ou seja, cuidado deve ser permanente.

Organize o lixo

O lixo doméstico também pode se tornar um terreno fértil para os mosquitos, pois podem acontecer acúmulos de água nele. É importante mantê-lo organizado em sacos plásticos, sempre fechados. Pneus velhos e restos de materiais de construção também devem ser removidos dos quintais.

 

Saiba mais

Dengue: A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Também há registros de transmissão vertical (gestante – bebê) e por transfusão de sangue. Por ano, são registradas cerca de 50 milhões de infecções pela doença no mundo.

Sintomas: febre alta (entre 39°C e 40°C) que dura de 2 a 7 dias, dor de cabeça, fraqueza, dor atrás dos olhos e erupção e coceira na pele. São comuns perda de peso, náuseas e vômitos. Na forma grave da doença, são comuns dores abdominais intensas, vômitos e sangramento de mucosas.

Tratamento: aos primeiros sintomas da doença, é necessário procurar um serviço de saúde. Como não existe tratamento específico, os médicos buscam aliviar os sintomas. O paciente não deve tomar medicamentos por conta própria e precisa fazer repouso e ingerir bastante líquido.

Chikungunya: A circulação do vírus chikungunya foi identificado no Brasil pela primeira vez em 2014. Ele é transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti, em áreas urbanas, e pelo Aedes albopictus, em áreas rurais.

Sintomas: começam entre dois e 12 dias após a picada do mosquito. A febre é alta, de início rápido, seguida por dores intensas nas articulações dos pés e das mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos. Também pode ocorrer dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele.

Tratamento: a febre chinkungunya é tratada com paracetamol e as dores articulares com anti-inflamatórios. O Ministério da Saúde não recomenda usar o AAS (ácido acetil salicílico), devido ao risco de hemorragia. O paciente deve ficar em repouso absoluto e beber líquidos em abundância.

Zika: Também transmitido pelo Aedes aegypti, o zika vírus está relacionado com os casos de microcefalia. Ele foi identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015. Não há evidências de transmissão do zika por meio do leite materno, nem urina e saliva. Há evidências de que o vírus pode ser sexualmente transmissível.

Sintomas: dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. Normalmente, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. Caso apareça algum desses sinais, busque um serviço de saúde para atendimento.

Tratamento: o tratamento recomendado para quem apresenta esses sintomas se baseia no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e da dor. No caso de erupções na pele, também podem ser usados os anti-histamínicos.

Febre amarela: doença que causa febre aguda, a febre amarela é transmitida ao homem pela picada de fêmeas do mosquito vetor infectado. Nas cidades, o vetor é o Aedes aegypti e em áreas rurais o mosquito Haemagogus.

Sintomas: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina) são os principais sintomas. Também há casos de insuficiência hepática (fígado) e renal (rins) que, em muitos casos, evolui para óbito em aproximadamente uma semana.

Tratamento: o paciente deve ser hospitalizado e permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Em casos graves, o paciente deve ser atendido numa UTI (Unidade de Terapia Intensiva).