Cascavel – Levantamento recente realizado pela Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná) revela a situação habitacional do Paraná. Os dados mostram que o déficit total é de 511.746 domicílios.

O presidente da Companhia, Jorge Lange, explica que esse número leva em conta a necessidade rural e urbana. “Do total necessário, 474.777 são domicílios urbanos [92,8%]. Os números se dividem ainda em duas categorias: déficit quantitativo, relacionado ao número de residências que precisam ser construídas, levando em conta 280.602 cadastros, 220 cortiços e ainda 41.711 domicílios de reassentamentos; e o déficit qualitativo, de 152.144 domicílios, que diz respeito à regularização fundiária de áreas invadidas e loteamentos irregulares, assim como a infraestrutura desses locais, como rede de esgoto, água e energia elétrica”, detalha.

No campo, a demanda por moradia é de 37.069 unidades (7,2%).

A pesquisa minuciosa foi feita ao longo de todo o ano passado. Em abril de 2019, o governador Ratinho Júnior havia anunciado que o déficit era de mais de 400 mil casas, mas o número era referente à pesquisa realizada em 2015. “Os dados são acompanhados pelo cadastro. Já a pesquisa total, com todos os municípios, para a revisão, é feita a cada 3 ou 4 anos, e foi o que realizamos agora”, explica Lange.

O presidente ressalta que o Paraná tem uma série de programas e que a Cohapar continua trabalhando para reduzir esses números, mas lembra que o Estado não tem recursos suficientes para atender à necessidade de todos. “Desde o início de 2019, já entregamos 3.172 unidades, estão em execução 4.809 moradias e ainda há perspectiva de contratação de outras 8.752. A Cohapar atua hoje em mais de 200 municípios e queremos chegar a 16 mil unidades em breve”, resume.

Cascavel

Segundo Jorge Lange, a regional de Cascavel, que compreende 52 municípios, tem necessidade total de 53.064 unidades habitacionais, o que equivale a 8,36% de toda a demanda estadual.

Mas o que preocupa, na região, são obras do programa habitacional sub-50, que fazia parte do Programa Minha Casa, Minha Vida, que estão paradas há quase dez anos. “Na região tem cerca de 900 unidades paradas desde 2012/2013. São moradias para pessoas na linha de extrema pobreza e que por uma série de questões não foram construídas. O programa, inclusive, deixou de existir e não temos ainda uma forma de resolver isso”, lamenta Lange.

Casa Verde e Amarela

Com o lançamento na última terça-feira (25) do novo programa habitacional Casa Verde e Amarela, que vem para substituir o Minha Casa, Minha Vida, a expectativa é de que a regularização seja facilitada e que mais pessoas sejam beneficiadas. “As companhias de habitação propuseram um financiamento direto, acessando o dinheiro do FGTS sem precisar passar por bancos. Como isso não foi aceito, esperamos que o programa beneficie quem precisa de qualquer forma. Já foi anunciado um volume importante de recursos, ainda é preciso analisar quais são as faixas beneficiadas e como tudo vai funcionar. O déficit pega todas as faixas de renda, o leque é grande e qualquer recurso é bem-vindo. Tem muitas empresas com projetos prontos no Estado e que aguardam verba. Então, com essa nova possibilidade, isso pode acontecer e aquecer ainda mais o setor da construção civil, gerando mais empregos e ajudando, inclusive, a potencializar a retomada econômica”, prevê Lange.