De uma UPA a outra, pai perde horas sem atendimento

O pedagogo Adilson de Amorim viveu uma verdadeira via-sacra ontem para conseguir atendimento médico para seu filho, de 16 anos, que sofreu um acidente no último dia 21 e sofreu uma lesão na perna esquerda. Logo após o acidente, o garoto foi levado para a UPA Tancredo, fez raio-X e teve medicamentos receitados. Embora, segundo o pai, nem mesmo limparam o ferimento na perna. Mas tudo bem, ele e a esposa deram conta disso em casa.

Unimed

Acontece que, passados dez dias, o rapaz continua com dores na perna e ontem os dois voltaram à UPA Tancredo em busca de atendimento médico. Lá, foram orientados a irem até a UPA Veneza, no outro canto da cidade. Foram. E o drama estava só começando. Detalhe: a UPA Tancredo ainda volta à cena nesta história.

Pai e filho chegaram às 10h40, outras quatro pessoas estavam na frente. Às 13h continuavam esperando, dez pessoas estavam na frente. Então, às 15h, finalmente foram chamados para a sala do médico. O qual consultou o garoto, disse que ele precisava ir a um ortopedista, que, por ironia, fica na UPA Tancredo.

O médico fez o encaminhamento ao especialista (sem indicar local). O pai, inconformado, pediu um exame mais apurado para tentar resolver o problema do filho, ao que o médico teria lhe orientado a buscar na rede particular (leia mais abaixo).

Resultado, após quase cinco horas de espera, o menino continuava com dor e sem solução.

Caso de UBS, diz secretário

Conforme o secretário de Saúde, Rubens Griep, foram atendidas 159 pessoas entre as 7h e o fim da tarde de ontem na UPA Veneza, “a maioria classificada com gravidade amarela ou vermelha. Não tem como passarmos um paciente código verde, como era o caso, na frente dos demais. O risco para as outras pessoas eram maiores”.

Rubens diz ainda que, no dia do acidente, o pai havia sido orientado a seguir o tratamento do menino na UBS (Unidade Básica de Saúde). “O paciente deve saber que a UPA é um pronto-socorro, que deve ir a elas em casos de emergência ou em horário em que UBS não atende. Muita gente vem para a UPA sem precisar”, defende-se. “O pai ficou dez dias em casa, ele sabia que era para procurar a UBS, pois foi orientado no dia em que o filho ganhou alta na UPA Tancredo. Em caso de dores, como o relatado, era para resolver no posto de saúde e, caso precisasse, a unidade básica iria encaminhar para outro local”, acrescenta Rubens.

Contudo, o pai nega ter sido orientado a procurar uma UBS: “No fim do atendimento não foi nos passado para acompanhamos o caso no posto de saúde. Só passaram a medicação e lhe deram alta”, assegura Adilson de Amorim.

Pai foi direcionado à rede particular

O filho de Adilson de Amorim foi atendido por volta das 15h. Feita avaliação, o médico lhe entregou um encaminhamento para ortopedia e para exames. “[O médico] Me mandou para a rede particular fazer os exames”, reclama.

Segundo o secretário Rubens Griep, o médico foi procurado para esclarecimentos e disse que “a ressonância magnética foi solicitada pelo pai do paciente e que não havia indicativo para fazer pelo SUS e que por esse motivo o médico disse que, se ele [pai] quisesse fazer o exame, deveria ir à rede particular”.

Adilson contesta e garante que não solicitou o exame e que foi o médico quem sugeriu. “O médico que me recomendou ir à rede particular fazer esse exame. Eu nem pedi esse exame! Ele que veio com essa da ressonância, nem passou pela minha cabeça esse exame”, diz o pai.

Mas calma! Ainda tem mais.

Os dois saíram da UPA sem saber o que fazer. Após a reportagem procurar a Secretaria de Saúde e contar sobre o caso, a diretora de atenção à saúde de Cascavel, Luciana Cavalli, entrou em contato com Adilson e lhe disse para ir à UPA Tancredo. “Ela me mandou uma mensagem, falou que meu filho não precisava de ressonância e sim de um ultrassom e que era para irmos à UPA Tancredo com os encaminhamentos do médico. Em função do adiantado da hora, eu disse que levaria meu filho amanhã [hoje], mas ela mandou outra mensagem, por volta das 17h30, e sugeriu que o levasse hoje, depois das 18h”.

A reportagem conversou com Adilson às 19h, ele e o filho estavam na UPA Tancredo, ainda esperando serem atendidos.

E o ECA?

Por sua formação profissional, Adilson de Amorim conhece o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e, segundo ele, a lei obriga preferência de atendimento a menores de idade. Após receber a informação de que a prioridade era apenas para bebês de até um ano, Adilson registrou denúncia no CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente).

JK

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