Cooperativas: 24 mil trabalhadores podem cruzar os braços

Juntas, plantas industriais têm faturamento superior a R$ 40 bilhões por ano

Palotina – Pela primeira vez na história das cooperativas da região, os trabalhadores no chamado “raio do meio-oeste” poderão deflagrar greve geral com a promessa de parar a produção de pelo menos oito plantas industriais que, juntas, possuem faturamento anual perto de R$ 40 bilhões.

Segundo o Sintrascoopa (Sindicato dos Trabalhadores de Cooperativa Agrícola, Agropecuária e Agroindustrial de Palotina e Região), nenhum dos itens da pauta de reivindicações foi atendido. Por isso, os cerca de 24 mil trabalhadores de cooperativas de municípios do oeste e do noroeste se reúnem em assembleia no dia 16 de junho, no centro de eventos em Palotina, a partir das 9h, para votar a proposta de greve.

Eles são funcionários de C.Vale (Palotina), Copagril (Marechal Cândido Rondon), Frimesa (Medianeira), Coamo (Campo Mourão), Cocamar (Maringá), Integrada (Ubiratã), Unitá (Ubiratã) e Agropar (Assis Chateaubriand).

Conforme o sindicato, se os trabalhadores optarem pela greve na assembleia, eles terão até 45 dias para comunicar as cooperativas para o início da mobilização.

Momento mais crítico vivido pelo setor similar a esse foi em 2015, quando os trabalhadores votaram pela greve, mas o setor patronal acabou cedendo e a paralisação foi suspensa.

A avaliação sindical é que, apesar das inúmeras tentativas, não houve avanços nas negociações desta vez e não há quaisquer sinalizações para que isso ocorra.

Entre os principais itens em pauta estão o reajuste salarial de 16,50%, auxilio refeição de R$ 990 por mês, piso salarial de R$ 1,4 mil, reajuste de 15% no Vale Alimentação, garantia do PPR (Programa de Participação nos Resultados); adicional por tempo de serviço, assistência médica; rescisão contratual feita no sindicato; horas extras de 75% e 150%; Insalubridade e periculosidade.

Em nota enviada na semana passada, o presidente da Fenatracoop (Federação Nacional dos Trabalhadores Celetistas nas Cooperativas do Brasil) e do Sintrascoopa, Mauri Viana Pereira alertou que “foram anos de muita luta e suor para conquistar os direitos dos trabalhadores em cooperativas, garantias alcançadas a passos curtos, porém, estão querendo retirar esses direitos a passos largos e isso o sindicato não vai permitir”. “Vamos lutar e não colocaremos em risco todas as nossas conquistas sociais e trabalhistas dos últimos anos”, atentou.

Situação em outras unidades cooperativas

Apesar da cobertura da unidade sindical em questão, ela não envolve cooperativas de Cascavel (Copavel) e Cafelândia (Copacol). Esses trabalhadores têm representação pela sede do Sindicato em Cascavel. Ali a informação dada pela presidência é que a pauta de reivindicações ainda está em negociação, tendo em vista que a data-base é 1º de junho. Ela seria diferente das exigências do núcleo sindical de Palotina.

No caso das cooperativas de Cascavel e Cafelândia, haveria uma rodada de negociações ontem com os representantes patronais em Curitiba. Além desses dois municípios, a estrutura tem cobertura em 32 cidades envolvendo 12,5 mil trabalhadores e não há risco de greve nessas plantas fabris. A diretoria alertou que as reivindicações para esses trabalhadores é a correção do INPC dos últimos 12 meses mais 4% de aumento real. Eles querem ainda o aumento do vale-alimentação de R$ 275 para R$ 400, os demais itens em pauta é a manutenção dos direitos conquistados.

O que dizem as cooperativas

O superintendente da Fecoopar (Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) – uma das três entidades que formam o Sistema Ocepar -, Nelson Costa, informa que o sistema é composto por nove sindicatos filiados e cada um deles representa uma regional, além de duas federações que representam os trabalhadores.

Segundo ele, as negociações estão em curso, sem definição de valores, mas que o diálogo promete seguir na semana que vem para alinhamento de diretrizes que vão ser aprofundados a partir de segunda-feira próxima. “Como cooperativas temos dois pilares: um é o associado e o outro o colaborador. Visamos à valorização do cooperado, dando assistência técnica para que produza mais e melhor, com qualidade; e no outro ponto a valorização do colaborador, por exemplo, dando capacitação. Em 2018, em todo o Paraná capacitamos mais de 200 mil trabalhadores de cooperativas. Se considerar que todas as cooperativas empregam cerca de 100 mil pessoas, um mesmo colaborador foi capacitado mais de uma vez e, quanto mais capacitado, mais ele será valorizado em termos de remuneração. Sem os colaboradores, a cooperativa não tem condições de funcionar, precisamos deles e estamos em negociação”, destacou.

Reportagem: Juliet Manfrin



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