Jesuítas – Em parceria com prefeituras, o governo do Estado quer perfurar quase 600 poços artesianos até o fim deste ano para contornar os impactos da seca em comunidades rurais. A meta faz parte do Programa Água no Campo, desenvolvido pelo IAT (Instituto Água e Terra).

Até agora, neste ano, o governo perfurou 103 poços em 27 municípios por meio de execução própria. Mas, para dar conta de fechar o ano com 700 poços perfurados, o Estado vai contratar empresas especializadas por meio de licitações. As próximas cidades a receberem os poços são Jesuítas e Marechal Cândido Rondon.

“Numa comunidade rural, onde a subsistência é plantação de hortaliças, retirada de leite e criação de suínos, se não tiver água, essas pessoas acabam não conseguindo se manter no campo. Então estamos lutando para fazer uma grande quantidade de poços por conta da pior crise hídrica registrada no estado. Temos que buscar água para a subsistência dessas comunidades”, reforça o gerente do programa Água no Campo, Ronye Paschoalotto.

Os poços perfurados pelo programa dão acesso a aquíferos para retirada de água subterrânea. O procedimento consiste em perfuração, revestimento, filtro, pré-filtro, motobomba e vedação. De acordo com Paschoalotto, a instalação é simples e rápida.

O gerente reforça que qualquer município pode fazer a solicitação ao IAT para a perfuração de poços, mas que ela deve partir do prefeito. “Recebemos bastante solicitação via câmaras, mas o Legislativo não tem a atribuição de compra de materiais para a execução da obra”.

A partir disso, o órgão faz o levantamento in loco das necessidades das regiões solicitadas, para, então, executar o convênio. Feito isso, o município fica responsável pela definição do local da perfuração e pelo fornecimento dos tubos de revestimentos ou filtros, óleo diesel, areia, brita, cimento e todo o custeio. Só depois disso o Estado executa a obra.

Após a conclusão dos serviços de perfuração, a regularização da área de uso em comum, a operacionalização do poço e a solicitação da outorga de uso do manancial são de responsabilidade da prefeitura.

O Instituto Água e Terra, por meio da Diretoria de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos, disponibiliza o equipamento de perfuração e a equipe técnica. São três máquinas para executar as perfurações. Duas delas perfuram até 300m de profundidade, enquanto a outra chega a 500m.

Por causa da parceria entre o IAT e as prefeituras, o custo para a execução dos poços é de aproximadamente R$ 9 mil. “Por exemplo, se a prefeitura contratar por licitação particular, com toda a alta do material, hoje custaria em torno de R$ 76 mil a R$ 90 mil uma perfuração de 300 metros. Se formos em profundidade maior, de até 500 metros, pode chegar a R$ 150 mil. Com a execução pelo Estado, o gasto é de 10% do valor”, ressalta.

Crise hídrica

Paschoalotto reforça que a crise hídrica tornou crítica a necessidade de implantação de poços artesianos. “Nós chegamos a comunidades rurais que não tinham água. Perfuramos em uma comunidade que o caminhão-pipa ia a cada dois dias para colocar água no reservatório. Tem município que começa 6h da manhã e termina às 20h de segunda a sábado, entregando água. É uma função bem grande para os prefeitos”, diz.

Em 2019, foram perfurados 120 poços no Paraná, atendendo 51 municípios, com uma produção de 1,731 milhão de litros de água. Em 2020, o número subiu para 171, divididos em 70 cidades, com uma vazão de 2,197 milhões de litros. Neste ano, já foram perfurados 103 poços, em 27 municípios, totalizando 1,3 milhão de litros.