Foz do Iguaçu – Há menos de um mês teve início o atual período epidemiológico para dengue, zika vírus e chikungunya e especialistas vivem a dúvida de como será o comportamento destes vírus no verão que se aproxima.

O que é muito provável, alerta o especialista em Controle Integrado de Vetores Pragas, Denilson Lehn, é de que poderá haver uma enxurrada de casos no Paraná da chamada febre chikungunya. A explicação é dada pela própria ciência: “Temos o vírus circulando, mas, como poucas pessoas contraíram a doença nos anos anteriores, a população fica mais suscetível a ela”.

Segundo ele, o entendimento das autoridades em saúde pública é unânime em avaliar que uma nova epidemia de todas essas doenças vai ser sentida, só não se sabe quando. “Temos alguns estados em alerta no Nordeste, no Sudeste, Precisamos manter a vigilância porque sabemos que as epidemias poderão voltar, só não sabemos quando”, destaca.

Sobre o recentemente aparecimento de casos de malária no Norte do País em regiões onde ela não era constante, o especialista também defende que é uma condição extra para o alerta, sobretudo porque não eram registrados casos sazonais da doença há muitos anos. “O Paraná não corre o risco de viver uma epidemia de malária, mas tivemos recentemente um caso em Foz do Iguaçu”, completa.

Para que a fórmula continue dando certo e afaste as doenças trazidas pelo Aedes aegypti da região, Denílson reforça que o ingrediente continua sendo o mesmo. “A prevenção com políticas públicas, programas governamentais e a população mantendo o foco, cuidando do quintal, não descuidando. O mosquito só precisa de duas condições para se proliferar, água parada e calor, e isso nós teremos de sobra”.

Dengue e zika

Sobre o risco de epidemia de dengue e de zika, que havia sido alertado ainda no ciclo passado (1º agosto/2017 a 31 de julho/2018) e que não se confirmou, o especialista reforça que não existem explicações lógicas para isso, mas que, no caso do Paraná, alguns fatores contribuíram: “No caso da dengue, houve a vacina em municípios com mais condições de epidemia, isso serviu para segurar os casos. Voltando à chikungunya no atual ciclo, não existe vacina para a doença, isso significa que a população não está imunizada, está mais suscetível”, seguiu.

“Vale destacar que regiões onde a infestação do mosquito aparecer em 4% ou mais significa que a luz de alerta precisa ser acesa, há ali um elevado índice de circulação do mosquito”.

No atual período, a Secretaria de Estado da Saúde ainda não divulgou boletins com os casos dessas doenças nas regionais de saúde do Paraná. Já no ciclo passado, foram 992 casos confirmados de dengue, sendo 920 autóctones, 72 importados e dois óbitos, ambos na 9ª Regional de Saúde de Foz do Iguaçu.

Em todo o Paraná o ciclo passado contou com 60 casos de chikungunya, sendo 33 autóctones e 27 importados. Não houve morte em decorrência da doença. Não houve registros de zika no Paraná no ciclo passado.

Infestação de 0,4% em Toledo

O índice de infestação da dengue diminuiu em Toledo, de acordo com o quarto LirAa (Levantamento de Índice do Mosquito Aedes aegypti) divulgado nessa quarta-feira (22), pelo Comitê Municipal de Mobilização Social Contra o Aedes Aegypti de Toledo. A apresentação foi realizada no Auditório Acary Oliveira, anexo à Prefeitura de Toledo.

O levantamento de janeiro até julho está caindo cada vez mais. Em janeiro o índice foi de 3,2%; abril foi de 3%; em maio de 1,3% e em julho ficou em 0,4%. Os levantamentos são realizados seis vezes por ano, a cada dois meses.

Segundo a supervisora-geral da equipe, Loriane Zanotto, nos últimos meses houve 81 casos suspeitos; cinco casos aguardam resultado; 71 descartados; 3 casos confirmados importados e 2 casos confirmados autóctones.

A cada 60 dias é realizada uma reunião do Comitê Contra o Aedes Aegypti, para que seja discutido os dados e a real situação que o Município se encontra, na ocasião várias entidades são convidadas à participar. Este ano já foram quatro levantamentos.

A equipe de endemias atende em todo o perímetro urbano e rural de Toledo. Nos últimos dois meses as visitas foram reduzidas por conta da chuva. Para agendar a visita basta ligar para (45) 3378-5177.

Favoráveis

Na avaliação do coordenador de Combate às Endemias, Selidio José Schmitt, os dados estão sendo favoráveis: “Este ano só tivemos dois casos autóctones e três casos importados. A infestação também está baixa, conseguimos controlar bem e o frio ajuda muito nesta época, mas isso não quer dizer que termina com o mosquito”.

Ele pede apoio da população para os cuidados em casa: “Todos devem fazer seu dever de casa, eliminando qualquer objeto que acumule água, para que na chegada do próximo verão a gente tenha uma situação mais favorável, não só em relação ao Aedes aegypti, mas também o pernilongo, que causa muito incômodo para as pessoas”, explicou.