201607081624294069_AP.jpg WASHINGTON ? Cinco antes de executar o ataque mais letal a policiais americanos desde 11 de setembro de 2001, o franco-atirador Micah Johnson publicou uma mensagem revoltada contra as pessoas brancas nas redes sociais. No sábado, ele denunciou o linchamento e a brutalização dos negros por meio de uma postagem em um grupo do Facebook chamado ?Partido Pantera Negra do Mississippi?. Na sexta-feira, ele matou cinco policiais e feriu outros sete durante um protesto contra as recentes mortes de dois homens negros por agentes de Louisiana e Minnesota.

?Porque tantos brancos (não todos) gostam de matar e participar da morte de pessoas inocentes??, escreveu Johnson, de 25 anos, no sábado.

Na mesma postagem, ele se disse revoltado com a histórica violência de brancos contra negros, com referências a alguns dos seus ancestrais que teriam sido alvo de agresssões, mutilações e assassinatos.

?Todos eles ficam ali e sorriem enquanto enquanto tiram fotos com uma pessoa negra enforcada, queimada e brutalizada?, ele escreveu. ?Eles até mesmo vêm à nossa terra e atiram na nossa vida selvagem em perigo por esporte?.

A mensagem vinha acompanhada de um vídeo em que algumas pessoas participavam da morte de uma baleia. Ele comparava as imagens ao tratamento oferecido aos negros nos Estados Unidos. A publicação foi compartilhada com os 200 membros do grupo na rede social.

No que aparenta ser a sua página pessoal do Facebook, Johnson se descrevia como um nacionalista negro. Em seu perfil, há imagens que remetem ao Poder Negro ? um movimento negro que se formou no mundo ocidental, sobretudo entre os anos 1960 e 1970 nos EUA. Há também referências à bandeira preta, vermelha e verde que é conhecida como símbolo da Libertação Negra.

Johnson era também um veterano militar que serviu ao Exército entre março de 2009 e abril de 2015. Entre novembro de 2013 e julho de 2014, ele esteve em missão no Afeganistão e recebeu medalhas, segundo autoridades militares.

Ainda não se conhece muito sobre Johnson e as tentativas da imprensa de entrar em contato com a sua família não tiveram sucesso nesta sexta-feira. Não está claro se ele era empregado, embora a rede NBC tenha afirmado que ele trabalhava atualmente em uma companhia de assistência a crianças e adultos com problemas mentais.

Kimberly Smith, uma vizinha de Johnson, disse que o seu filho frequentou a mesma escola do atirador:

? Ele foi uma boa criança. Meu filho ficou surpreso que ele tenha causado um problema.

Registros públicos indicam que ele morava em Mesquite, no subúrbio de Dallas. O Exército confirmou que foi lá que Johnson nasceu.

Na última madrugada, Johnson abriu fogo em um protesto contra as recentes mortes de Alton Sterling, em Louisiana, e Philando Castile, em Minnesota. Os dois homens negros foram baleados por policiais e vídeos que registraram as suas mortes mostram que eles não representavam ameaça aos agentes envolvidos.

Durante as negociações com a polícia, Johnson negou envolvimento com redes terroristas e disse que queria matar policiais brancos. Ele ainda afirmou que estava aborrecido com os recentes assassinatos pela policia.