Brasília – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso emergencial de um novo medicamento para tratamento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Em reunião extraordinária nessa quarta-feira (11), a direção da agência reguladora decidiu por unanimidade liberar o uso temporário e emergencial, em caráter experimental, do medicamento Regkirona (Regdanvimabe). Ele é eficaz contra as variantes Beta, Gama e Delta – considerada a mais contagiosa.

A empresa sul-coreana Celltrion Group pediu a autorização para o uso do medicamento no Brasil em 12 de maio. Essa é a quarta droga a ter a liberação no País (veja a tabela).

O medicamento é um anticorpo monoclonal. É indicado para tratar pacientes contaminados com o novo coronavírus que ainda não estejam fazendo uso de oxigênio suplementar, mas que correm risco de ter complicações por conta da doença.

“Esse pedido foi excessivamente avaliado. A Anvisa reconhece e dá o peso para as decisões de outras agências regulatórias”, destacou a diretora da Anvisa, Meiruze Sousa Freitas, relatora da solicitação.

Segundo Meiruze, a empresa apresentou dados sobre a certificação de boas práticas de produção da droga. Na prática, os documentos garantem segurança na fabricação da droga.

A diretora ainda destacou que a Anvisa avaliou os riscos e o benefício da droga antes de liberar o uso. “Não estamos recomendando o uso preventivo do Regdanvimabe”, salientou.

Quem fizer uso do anticorpo deverá esperar 90 dias para ser vacinado contra a covid-19. O tempo é exigido já que não existem estudos científicos sobre o uso do remédio combinado com os imunizantes. “O paciente deverá ser avaliado por um médico antes da vacinação”, frisou Meiruze.

Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos Anvisa, em apresentação técnica, defendeu a liberação. “Considerando o momento de pandemia e a solicitação de uso emergencial, em caráter experimental, a área técnica considera as informações relativas ao produto terminado satisfatórias”, escreveu.

Ele acrescentou: “Dada a atual situação de emergência, considera-se que as poucas incertezas identificadas podem ser resolvidas após a autorização por meio da continuação dos estudos clínicos em andamento e do monitoramento da eficácia do medicamento frente às novas variantes”.

A autorização deixa claro que o uso é restrito a hospitais e exige prescrição médica. A venda é proibida ao comércio e a droga não poderá ser vendida em farmácias e drogarias.

 

Veja remédios autorizados para o tratamento da covid-19:

 

*O Remdesivir teve o registro concedido pela agência em março deste ano.

*Associação de anticorpos monoclonais (casirivimabe + imdevimabe), produzidos pelas farmacêuticas Regeneron e Roche, autorizada para uso emergencial, em abril.

*Associação de anticorpos monoclonais (banlanivimabe + etesevimabe), produzido pela farmacêutica Eli Lilly do Brasil, autorizada para uso emergencial, em maio.

*Regkirona (Regdanvimabe) é anticorpo monoclonal produzido pela empresa sul-coreana Celltrion Group. A autorização foi concedida em agosto deste ano.