O último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em junho de 2017, e apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde, mostra que em Cascavel a taxa de detecção de Aids é de 28 casos para cada 100 mil habitantes. O número supera o índice estadual, de 16,5 casos em cada 100 mil habitantes, e fica à frente também da média nacional, de 18,5.

Para o Cedip (Centro Especializado de Doenças Infecto-Parasitárias), os dados preocupam e apontam a necessidade de estabelecer trabalhos de prevenção, diagnóstico e tratamento contínuos em toda a rede de atenção básica.

“As informações corretas e a conscientização sobre as formas de transmissão e de prevenção podem contribuir para mudança da epidemia para os próximos anos. Para isso ocorrer é necessário o envolvimento de toda a sociedade, seja nos trabalhos de prevenção, na oferta de testagem ou no acolhimento para o tratamento”, orienta o Cedip.

Apesar do alerta, Cascavel tem conseguido, por meio de muita orientação dos profissionais da saúde, reduzir o número de novos casos de HIV/Aids. Neste ano, o Cedip registrou 137 casos, número 33% menor que em relação ao ano passado, quando foram diagnosticados 206 novos casos.

De 2013 para cá foram 1.159 diagnósticos, com maior incidência no ano de 2016, quando 229 pessoas tiveram resultado positivo para o vírus.

 

Ano Novos casos

2013 168

2014 198

2015 221

2016 229

2017 206

2018 137

Fonte: Cedip

 

Em tratamento

O número de pacientes de HIV/Aids registrados em atendimento no Cedip envolvendo as 25 cidades da 10ª Regional de Saúde é de 2.975. Desses, 80% são de Cascavel, o que representa 2.380 pessoas em tratamento e que vivem no Município.

Já em relação às notificações, a 10ª Regional de Saúde contabilizou, conforme o boletim, 2.294 casos entre os anos de 1980 e 2017, período em que há registros oficiais da doença.

 

Mortes

O diagnóstico tardio ou o abandono de tratamento são hoje as principais causas de óbitos de Aids. De 2010 a 2017, o Cedip de Cascavel registrou 215 mortes, 11 delas apenas ano passado. Foi em 2015 quando o maior número de óbitos pela doença foi registrado: 41.

“Infelizmente, a maioria das pessoas que descobrem ser portadoras do vírus do HIV já está com algum sintoma da doença, o que sugere que essa pessoa estava infectada por algum tempo e que pode ter transmitido o vírus para outras pessoas”.

Para evitar que isso ocorra, o Cedip oferece de segunda a quarta-feira, às 8h15, e nas quintas-feiras, das 7h às 17h, testes rápidos de HIV/Aids, totalmente gratuitos.

Além disso, qualquer pessoa que se expôs a algum tipo de risco pode procurar a unidade de saúde mais próxima e solicitar o exame.

Grupos de exposição

Dados da Coordenação de DST/Aids de Cascavel mostram que adultos entre 20 e 34 anos representam a maioria dos casos diagnosticados de 2010 a 2017: 45,2%, seguidos por pessoas de 35 a 49 anos (33,3%); 50 a 64 anos (14,3%); 15 a 19 anos (5,5%); 65 a 79 anos (1,1%) e 10 a 14 anos (0,6%).

Ainda: 71,6% dos infectados são heterossexuais, 19,3% homossexuais; 5,8% bissexuais e outros 0,5% ocorridos em transmissão vertical – infecção do vírus HIV/Aids passada da mãe para o filho, durante o período de gestação, no parto ou no aleitamento materno.